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Chanceler alemão diz que EUA perdeu liderança global e adverte Europa sobre “guerras culturais” de Trump

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Berlim – O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou nesta quinta-feira (13) que os Estados Unidos “tiveram sua pretensão de liderança mundial contestada e possivelmente perdida”. A afirmação foi feita durante discurso na Conferência de Segurança de Munique, que ocorre na capital da Baviera até domingo (15).

Merz apontou um distanciamento entre Europa e EUA, alimentado pela proposta do presidente americano, Donald Trump, de anexar a Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca. “As guerras culturais do MAGA nos Estados Unidos não são nossas”, disse ele, referindo-se ao slogan “Make America Great Again”, associado a Trump e seus apoiadores.

O chanceler recordou que, na Alemanha, “a liberdade de expressão termina onde as palavras ferem a dignidade humana e nossos princípios fundamentais”, referência aos atritos com Washington sobre a regulação europeia das redes sociais.

Apesar das críticas, Merz pediu cooperação transatlântica. “Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão fortes o suficiente para seguir sozinhos”, afirmou. Segundo ele, a participação na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é “uma vantagem competitiva” tanto para a Europa quanto para os EUA.

Tarifas sobre a Europa e impasse na Groenlândia

Em janeiro, Trump anunciou tarifas sobre importações de oito países europeus, incluindo a Alemanha, que se opõem ao plano americano de anexação da Groenlândia. Dias depois, o republicano informou ter acertado com a Otan “a estrutura de um acordo” sobre o território, sem dar detalhes, e suspendeu as tarifas que entrariam em vigor em fevereiro.

Diante do recuo de Washington, a União Europeia também interrompeu temporariamente a preparação de um pacote de retaliações comerciais, apelidado de “bazuca” em Bruxelas.

Além das tensões ligadas à Groenlândia, a conferência em Munique discutiu ainda o aumento da pressão europeia contra plataformas digitais e casos recentes de espionagem, incluindo a expulsão de um diplomata russo acusado de atuar em Berlim.

Com informações de Gazeta do Povo