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Cessar-fogo de Páscoa entre Rússia e Ucrânia entra em vigor por 32 horas

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Entrou em vigor às 16h deste sábado (11/04), horário local – 10h em Brasília – a trégua de Páscoa anunciada simultaneamente por Moscou e Kiev. O cessar-fogo, válido até a meia-noite de domingo, coincide com a celebração da Páscoa ortodoxa e representa o quarto acordo temporário de suspensão de hostilidades desde a invasão russa iniciada em fevereiro de 2022.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, vinha solicitando uma pausa nos combates nas últimas semanas. A resposta russa só veio dois dias antes da data festiva, quando o presidente Vladimir Putin ordenou a interrupção das operações militares em todas as frentes por 32 horas, mantendo as forças “preparadas para neutralizar provocações”.

Em mensagem divulgada nas redes sociais, Zelensky afirmou que o Exército ucraniano adotará “resposta simétrica”: enquanto não houver ataques russos por terra, mar ou ar, não haverá reação de Kiev. Segundo o líder ucraniano, os parâmetros dessa postura foram acertados com o comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, e comunicados ao lado russo.

Zelensky voltou a defender a ampliação do cessar-fogo além do fim de semana religioso, sugerindo que a pausa poderia abrir espaço para negociações de paz, atualmente paralisadas há quase dois meses por causa do conflito no Irã. Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou a medida como estritamente humanitária e restrita ao período pascal, embora tenha reiterado que Moscou “não quer apenas um cessar-fogo, quer uma paz duradoura”.

Desde o início da guerra, Putin já decretou tréguas pontuais, como a pausa de 30 horas na última Páscoa e o cessar-fogo que marcou os 80 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista. Por sua vez, Zelensky tem defendido interrupções mais longas, de até 30 dias, proposta que chegou a contar com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antes da cúpula com Putin no Alasca, em agosto de 2025.

Troca de prisioneiros e repatriação de corpos

Paralelamente ao cessar-fogo, o Ministério da Defesa russo informou neste sábado a troca de 350 prisioneiros de guerra, 175 de cada lado, organizada com mediação dos Emirados Árabes Unidos. Os militares russos libertados foram levados à Belarus para receber cuidados médicos e psicológicos. Kiev também devolveu sete civis da região fronteiriça de Kursk, ocupada parcialmente pelas forças ucranianas por menos de um ano. Moscou agradeceu a colaboração das autoridades emiradenses.

Na sexta-feira (10/04), as duas nações já haviam realizado outra operação humanitária: a Ucrânia recebeu os corpos de mil soldados, enquanto a Rússia recuperou 41 de seus combatentes. Conforme o acordo firmado em Istambul no ano passado, Moscou estima ter repatriado cerca de 10 mil corpos de ucranianos e recebido aproximadamente 200 russos, diferença atribuída ao avanço russo que, embora lento, impede Kiev de recolher seus mortos no campo de batalha.

Com informações de Gazeta do Povo