Washington e Teerã confirmaram na noite de 7 de abril de 2026 um cessar-fogo de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro. Nesse intervalo, representantes dos dois países tentarão selar um acordo que encerre o conflito e estabeleça bases para uma paz de longo prazo.
O anúncio ocorreu horas antes de expirar o prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz. Caso contrário, usinas de energia e pontes iranianas seriam alvo de bombardeios. Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que os EUA já teriam alcançado “todos os objetivos militares” e que as negociações para um entendimento permanente estão “bem avançadas”.
Demandas opostas
De acordo com a rede CNN, Washington apresentou um documento com 15 pontos. Entre eles estão:
- compromisso iraniano de não obter armas nucleares;
- entrega de estoques de urânio enriquecido;
- limitação das capacidades de defesa do país persa;
- desmobilização de grupos como Hamas e Hezbollah;
- reabertura total do Estreito de Ormuz.
Teerã aceitou reabrir Ormuz, mas quer manter tropas próprias no local e cobrar pedágio de embarcações durante a trégua. No dia 8, houve interrupções e retomadas alternadas do tráfego no estreito.
Do lado iraniano, a lista de 10 exigências inclui:
- regulamentação permanente da passagem em Ormuz;
- fim dos ataques a Irã e aliados regionais;
- retirada das forças americanas do Oriente Médio;
- indenizações financeiras;
- fim das sanções e desbloqueio de ativos;
- resolução vinculativa da ONU;
- autorização para continuar enriquecendo urânio.
Ceticismo de analistas
Nader Hashemi, professor da Universidade de Georgetown, disse à CBC News que “duas semanas podem passar muito rápido” diante do abismo entre as propostas. Para ele, qualquer flexibilização das sanções pelos EUA poderia ser vista internamente como capitulação.
Pratibha Thaker, diretora regional da Economist Intelligence Unit, afirmou à CNBC que a desconfiança mútua permanece forte: Washington teme o programa nuclear iraniano, enquanto Teerã duvida das intenções americanas após retiradas anteriores de acordos.
Sandro Teixeira Moita, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, observou à Gazeta do Povo que violações do cessar-fogo já ocorreram e que a percepção de que Washington deseja mais o entendimento do que Teerã causa constrangimento entre aliados dos EUA no Oriente Médio. Ele lembrou que, na véspera da trégua, o vice-presidente J.D. Vance assumiu as tratativas finais porque negociadores tradicionais, Steve Witkoff e Jared Kushner, foram rejeitados pelo Irã.
Moita avaliou que a única possibilidade de compromisso seria os EUA abrirem mão das restrições aos programas nuclear e de mísseis iranianos, cenário que abalaria o prestígio americano e poderia levar parceiros regionais a buscar novos fornecedores de segurança.
As discussões presenciais estão marcadas para começar na sexta-feira, 10 de abril, no Paquistão.
Com informações de Gazeta do Povo