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Células-tronco são identificadas como chave para reconstruir dentes e ossos da mandíbula

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São Francisco (EUA) / Tóquio (Japão) — Um estudo publicado em 14 de outubro de 2025 na revista Nature Communications descreve dois tipos de células-tronco capazes de restaurar, de forma natural, raízes dentárias e o osso alveolar — estrutura que fixa os dentes à mandíbula.

A pesquisa foi conduzida pela professora Wanida Ono, da Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF), e por Mizuki Nagata, do Institute of Science Tokyo. Participaram ainda equipes da Universidade do Texas, Universidade de Michigan, Kyushu University (Japão) e Universidade de Gotemburgo (Suécia).

Dois grupos celulares, funções distintas

Em testes com camundongos geneticamente modificados, os cientistas acompanharam o comportamento das células-tronco durante o crescimento das raízes e a formação do osso ao redor. Dois grupos foram identificados:

  • Células CXCL12+ (papila apical) — produzem dentina e cemento, tecidos que formam e revestem a raiz. Quando acionadas pela molécula Wnt, essas células também contribuem para recuperar o osso alveolar após lesões.
  • Células do folículo dental — responsáveis pela geração do osso alveolar. Esse processo depende do desligamento temporário do chamado eixo genético Hedgehog-Foxf; se o sinal permanece ativo por muito tempo, a formação óssea é bloqueada.

Impacto potencial na odontologia

O osso alveolar sofre perda progressiva em casos de periodontite, condição que afeta cerca de 3,5 bilhões de pessoas no mundo. Atualmente, não existe terapia capaz de regenerar integralmente esse tecido. Segundo os autores, compreender os “interruptores” moleculares que ativam ou silenciam cada via genética abre caminho para tratamentos que usem as próprias células-tronco do paciente, dispensando próteses ou implantes de titânio.

“Descobrimos que o equilíbrio entre ativar e inativar determinados sinais é essencial para manter dentes e ossos saudáveis”, afirmaram os pesquisadores no artigo.

Embora ainda em fase pré-clínica, o avanço indica a possibilidade de métodos biológicos que reconstruam tanto dentes quanto estruturas de suporte a partir de células já presentes no organismo.

Com informações de Gazeta do Povo