Pequim e Moscou condenaram publicamente, em 3 de março de 2026, os bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, mas optaram por não oferecer apoio militar a Teerã. A postura evidencia a prioridade de preservar interesses econômicos e agendas regionais próprias, apesar da parceria estratégica mantida com o regime iraniano.
Reação diplomática
No Conselho de Segurança da ONU, a Rússia classificou as ofensivas como “atos de agressão” e cobrou cessar-fogo imediato. A China declarou que o ataque durante negociações de paz era “inaceitável” e lamentou a morte do líder iraniano Ali Khamenei. As manifestações, contudo, permaneceram no campo diplomático, sem qualquer ameaça de intervenção bélica.
Ausência de cláusula de defesa coletiva
China, Rússia e Irã mantêm um pacto trilateral que prevê cooperação em energia, comércio e defesa. Diferentemente da Otan, o acordo não inclui dispositivo que obrigue resposta militar conjunta caso um dos signatários seja atacado. Assim, não há compromisso formal que exija que Pequim ou Moscou entrem em guerra para proteger Teerã.
O que preocupa a China
Pequim compra mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã, negociado a preços reduzidos, e investe bilhões de dólares em infraestrutura nos países do Golfo por meio da Nova Rota da Seda. Um conflito de grande escala ameaça o suprimento de energia e coloca em risco esses investimentos.
Interesses russos
A economia russa é fortemente dependente da venda de petróleo para financiar o orçamento federal e a campanha militar na Ucrânia. A instabilidade no Oriente Médio tende a elevar o preço da commodity, beneficiando as receitas do Kremlin. Além disso, Moscou evita abrir uma segunda frente de guerra enquanto concentra forças no Leste Europeu.
Prioridade militar de Pequim
A modernização naval e aérea promovida pelo presidente Xi Jinping está voltada sobretudo à região do Indo-Pacífico, com foco na eventual anexação de Taiwan. Engajar-se em um confronto direto com os Estados Unidos para defender o Irã desviaria recursos dessa meta considerada central pelo governo chinês.
Com interesses energéticos e estratégicos distintos, China e Rússia preferem manter retórica de condenação e apelos diplomáticos enquanto se afastam de qualquer envolvimento militar direto no Oriente Médio.
Com informações de Gazeta do Povo