O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou neste domingo (25) que Ottawa não pretende negociar um acordo de livre-comércio com Pequim. A declaração ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar aplicar tarifa de 100% sobre todos os produtos canadenses que entrarem no mercado norte-americano caso o Canadá avance em um pacto com a China.
“Pelo T-MEC, temos o compromisso de não buscar acordos de livre-comércio com economias que não sejam de mercado sem notificação prévia. Não planejamos firmar tratado desse tipo com a China nem com qualquer outra economia nessa condição”, disse Carney a jornalistas.
Ameaça pública de Trump
No sábado (24), Trump publicou em redes sociais que imporia “tarifa de 100% a todos os bens canadenses” se Ottawa assinasse um marco bilateral com Pequim. A advertência mudou o tom da Casa Branca, que menos de duas semanas antes se mostrava favorável à aproximação comercial entre os dois países.
Visita a Pequim e ajustes setoriais
Carney explicou que os entendimentos alcançados durante sua recente viagem à capital chinesa têm caráter pontual, destinados a corrigir “problemas surgidos nos últimos dois anos” nas trocas bilaterais em áreas como agricultura, pesca e veículos elétricos.
Entre as medidas, o premiê destacou a criação de uma cota anual máxima de 49 mil veículos elétricos chineses que poderão entrar no Canadá com tarifa reduzida. Segundo ele, a medida está “em total consonância” com as obrigações previstas no T-MEC.
Reações em Washington
Questionado sobre a razão da mudança de postura de Trump, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sugeriu que o discurso feito por Carney no Fórum Econômico Mundial, em Davos, pode ter desagradado o presidente americano. “Não sei o que o primeiro-ministro está fazendo, além de tentar parecer virtuoso diante de seus amigos globalistas em Davos. Não creio que isso seja o melhor para o povo canadense”, declarou Bessent à emissora ABC.
No pronunciamento citado, Carney defendera que “potências médias” unam forças para resistir à coerção econômica das grandes potências — comentário que, embora não mencionasse Trump, foi interpretado por analistas como um recado a Washington.
Bessent reiterou que o Canadá deve seguir as diretrizes do T-MEC e manifestou apoio à tarifa de 100% caso o país se torne “porta de entrada” para produtos chineses de baixo custo nos Estados Unidos.
A controvérsia expõe as tensões dentro do acordo comercial trinacional, em vigor desde 2020, e reforça a pressão de Washington para conter a influência econômica de Pequim na América do Norte.
Com informações de Gazeta do Povo