Foz do Iguaçu (PR) – O governo brasileiro decidiu não assinar o comunicado divulgado na cúpula do Mercosul, em 21 de dezembro de 2025, que exige a restauração da democracia na Venezuela. O Uruguai adotou a mesma posição.
A proposta de declaração partiu do presidente argentino, Javier Milei, e recebeu o apoio da Argentina, do Paraguai e dos demais integrantes do bloco. Segundo o Itamaraty, o texto ignorou a presença de forças militares estrangeiras no Caribe e poderia ser interpretado como sinal verde às ações dos Estados Unidos na região.
Diplomatas brasileiros relataram que o tema vinha sendo discutido havia semanas. O Brasil aceitava mencionar violações de direitos humanos e a crise humanitária sob o governo Nicolás Maduro, mas pedia um “equilíbrio” com a inclusão de alerta sobre tropas internacionais próximas à Venezuela. A sugestão foi rejeitada e, diante do impasse, a delegação brasileira se retirou da negociação.
O Uruguai acompanhou a posição do Brasil. “Sabíamos que eles fariam o documento, é um direito deles”, afirmou um diplomata presente às tratativas. “Lamentamos que não houve o tradicional comunicado dos Estados Partes e Associados.”
Assinaram o texto final os presidentes da Argentina, Javier Milei; do Paraguai, Santiago Peña; e do Panamá, José Raúl Mulino. Autoridades de alto escalão da Bolívia, Equador e Peru também endossaram o documento, que expressa “profunda preocupação” com a crise migratória, humanitária e social na Venezuela, suspensa do Mercosul desde 2017.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil ainda não se manifestou oficialmente.
Com informações de Gazeta do Povo