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Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e Brasil emerge como o maior beneficiado

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Uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, tomada na sexta-feira (20), anulou as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump e colocou o Brasil como principal vencedor entre os 20 maiores parceiros comerciais norte-americanos. De acordo com a plataforma Global Trade Alert (GTA), a retirada das sobretaxas reduziu em média 13,6 pontos percentuais as barreiras aplicadas a produtos brasileiros.

Por seis votos a três, o tribunal considerou que Trump havia extrapolado seus poderes ao usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência (IEEPA) para elevar tarifas destinadas originalmente a crises de segurança nacional. O presidente da Corte, John Roberts, destacou que medidas com impacto econômico tão amplo dependem de autorização do Congresso.

Nova tarifa global atinge todos igualmente

Logo após o revés judicial, Trump anunciou uma tarifa global baseada na Seção 122 do Trade Act de 1974. A alíquota inicial, em vigor desde terça-feira (24), é de 10% para todos os países, com possibilidade de aumento a 15% mediante ordem presidencial futura. Esse instrumento vale por até 150 dias e não permite elevações acima desse teto.

Como a nova cobrança se aplica de maneira uniforme, o exportador brasileiro não perde competitividade em relação a concorrentes. Sob o regime anterior, as tarifas sobre produtos do Brasil haviam chegado a 35% em setembro de 2025.

Efeitos imediatos no câmbio e na Bolsa

A decisão provocou valorização do real, recordes no Ibovespa e reforçou o mercado norte-americano como destino para as exportações brasileiras. Em 2025, sob o “tarifaço” de 40% anunciado em julho daquele ano, as vendas do Brasil aos EUA recuaram 6,7%, totalizando US$ 37,7 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Mesmo assim, o país fechou o ano com exportações recordes de US$ 348,3 bilhões ao redirecionar embarques para outros mercados.

Setores que mais ganham

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que a redução das sobretaxas favorece cerca de US$ 21,6 bilhões em produtos enviados aos EUA. Os segmentos mais contemplados incluem:

  • Agronegócio e alimentos, que reforçam posição no mercado norte-americano pressionado pela inflação.
  • Indústria de manufaturados, agora mais competitiva em preço.
  • Itens isentos da nova tarifa de 15% — combustíveis, carne bovina, café, celulose, suco de laranja, aeronaves e minerais críticos — responsáveis por mais de 60% das exportações brasileiras ao país.

Prazos e riscos

A tarifa global de 10% (eventualmente 15%) tem validade máxima de 150 dias, período após o qual o Congresso dos EUA precisará decidir sobre prorrogação. Além disso, as taxações sobre aço e alumínio, que podem chegar a 50%, permanecem vigentes, e investigações sobre práticas comerciais brasileiras seguem abertas.

No mercado financeiro, a incerteza quanto ao destino dos recursos arrecadados com tarifas declaradas ilegais — estimados em até US$ 175 bilhões — pode influenciar juros norte-americanos e o fluxo de capitais para emergentes, inclusive o Brasil.

Exportadores brasileiros agora correm contra o relógio para ampliar vendas antes de nova redefinição das regras em Washington.

Com informações de Gazeta do Povo