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Brasil fica à margem após prisão de Maduro e perde espaço como mediador, dizem especialistas

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Brasília – A detenção de Nicolás Maduro por militares dos Estados Unidos em 3 de janeiro, durante operação em Caracas, expôs a limitação da diplomacia brasileira e a ausência de confiança internacional no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para arbitrar a crise venezuelana, segundo analistas.

Condenação brasileira

Em notas oficiais, o Palácio do Planalto e o Itamaraty classificaram a ação norte-americana como “grave violação da soberania” e do direito internacional. O governo reiterou oposição ao uso unilateral da força, defendeu solução pacífica via Nações Unidas e advertiu para risco de instabilidade na América do Sul.

“Melhor ser ignorado”, avalia jurista

Para o doutor em Direito Internacional Luiz Augusto Módolo, Washington deliberadamente deixou Brasília fora do planejamento da operação porque associa o avanço do chavismo a omissões de sucessivos governos brasileiros, sobretudo nos mandatos de Lula. “Os EUA sabem que o problema cresceu sob as barbas do Brasil”, afirmou.

Falta de neutralidade

O constitucionalista André Marsiglia considera que nem Lula nem o Estado brasileiro possuem hoje credenciais para intermediar o pós-Maduro. Ele recorda tentativas fracassadas de mediação na guerra Rússia-Ucrânia. “Lula se ofereceu, ninguém levou a sério; com EUA e Venezuela será igual”, disse.

Alessandro Chiarottino, também constitucionalista, sustenta que a política externa de Donald Trump é unilateral e que o alinhamento ideológico do governo brasileiro, visto como de esquerda, mina qualquer pretensão de protagonismo.

Trajetória de apoio ao chavismo

Módolo aponta quase três décadas de “cinismo diplomático” de Brasília em relação à Venezuela. Ele lembra o apoio de Fernando Henrique Cardoso à volta de Hugo Chávez em 2002 e cita vídeos de Lula endossando Maduro, além do envio de marqueteiro brasileiro à campanha do líder venezuelano em 2013.

Segundo o jurista, relatos de repasses de empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato a campanhas chavistas são conhecidos no exterior e contribuem para a desconfiança sobre a neutralidade do Brasil.

Crise humanitária ignorada

Os especialistas também criticam o silêncio do Brasil diante de violações de direitos humanos e da diáspora venezuelana. Para Módolo, a omissão ajudou a prolongar o regime. “O chavismo não teria sobrevivido sem a complacência brasileira”, disse.

Notas protocolares

Marsiglia avalia que o governo Lula limita-se a declarações formais baseadas no multilateralismo. “Quem se coloca no meio parece mais racional; é cálculo político interno”, afirmou.

Na avaliação predominante, a captura de Maduro redefine o tabuleiro regional e indica que o Brasil deverá acompanhar os desdobramentos de fora, sem voz determinante nas decisões sobre o futuro venezuelano.

Com informações de Gazeta do Povo