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Bomba achada na fronteira eleva crise diplomática e comercial entre Equador e Colômbia

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Uma bomba não detonada encontrada em território colombiano, a poucos metros da fronteira com o Equador, acentuou a já delicada relação entre os dois países. O artefato, localizado na noite de segunda-feira (17), levou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, a acusar o vizinho de realizar um bombardeio contra seu país, enquanto Quito nega qualquer incursão.

Acusação de ataque aéreo

Em reunião de gabinete transmitida à meia-noite, Petro afirmou que “métodos de bombardeio” teriam sido empregados a partir do território equatoriano. Segundo o presidente, uma investigação foi determinada para apurar a origem do explosivo. Petro também relatou ter solicitado, em telefonema na semana passada, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intercedesse junto ao governo equatoriano, alegando não querer “entrar em guerra”.

Noboa refuta e faz contrapontos

O presidente do Equador, Daniel Noboa, reagiu na terça-feira (18) pelas redes sociais. Ele garantiu que as operações militares realizadas próximo à fronteira, com apoio dos EUA, ocorreram exclusivamente em solo equatoriano. Noboa acusou Bogotá de abrigar familiares do narcotraficante José Adolfo Macías Villamar, o “Fito”, e a ex-candidata presidencial correísta Luisa González. “Estamos agindo em nosso território, não no seu”, escreveu.

Petro respondeu, também pelo X, que “27 corpos carbonizados” foram encontrados na área dos bombardeios e considerou “não crível” a justificativa apresentada por Noboa. Ele acrescentou que bombas foram localizadas perto de famílias que substituem lavouras de coca por culturas legais.

Conflito comercial simultâneo

A tensão militar ocorre paralelamente a uma guerra comercial iniciada em janeiro, quando Quito impôs uma “taxa de segurança” de 30% — posteriormente elevada para 50% — sobre produtos colombianos. A resposta de Bogotá veio com tarifas sobre dezenas de itens equatorianos e a suspensão do fornecimento de energia elétrica ao país vizinho. O Equador, por sua vez, encareceu o transporte de petróleo bruto colombiano por seus oleodutos.

Cooperação com os EUA

Na semana passada, Equador e Estados Unidos formalizaram a abertura do primeiro escritório do FBI em Quito, destinado a apoiar o combate a grupos internacionais de crime organizado. A medida complementa operações militares conjuntas iniciadas no início de março, que incluíram o bombardeio de um campo de treinamento dos Comandos de Fronteira, dissidência das antigas FARC.

Apesar das trocas de acusações e das barreiras comerciais, ambos os governos disseram querer evitar uma escalada militar direta, enquanto prosseguem as investigações sobre a origem do artefato explosivo localizado na fronteira.

Com informações de Gazeta do Povo