A restrição ao aplicativo de mensagens Telegram, adotada nesta semana pelo órgão regulador de comunicações Roskomnadzor, desencadeou forte contestação dentro da própria Rússia. Militares, blogueiros pró-Kremlin e deputados afirmam que a medida compromete a comunicação das tropas que participam da invasão à Ucrânia e aumenta riscos à segurança interna.
Em 12 de fevereiro de 2026, a preocupação ganhou eco na Duma (Câmara dos Deputados). O líder do partido Rússia Justa, Sergei Mironov, classificou a decisão como “idiota” e questionou:
“Quem está tornando o Telegram lento? Vão para o front. Lá, os rapazes derramam seu sangue e essa é a única via de comunicação com familiares e entes queridos.”
Moção rejeitada
Mironov, em conjunto com o Partido Comunista da Federação Russa, apresentou moção para investigar as restrições impostas ao aplicativo. A proposta foi rejeitada pelo governista Rússia Unida e pelo Partido Liberal Democrático da Rússia.
O deputado também enviou petição ao Conselho de Segurança solicitando revisão da punição ao Telegram. Ele argumenta que a medida “pode ameaçar a segurança dos cidadãos”, citando alerta do governador de Belgorod, Vyacheslav Gladkov, sobre possíveis prejuízos na emissão de avisos de ataques ucranianos.
Críticas da linha de frente
No canal de Telegram Dva Maiora, administradores pediram que dirigentes do Roskomnadzor e deputados fossem enviados à linha de frente “para compreender como funcionam as comunicações na zona de combate”. Já o correspondente de guerra Alexander Sladkov afirmou que o Exército russo sofreu um “golpe duplo”: o bloqueio anterior dos terminais Starlink e, agora, o que chamou de “fogo amigo” das autoridades de telecomunicações.
Pressão sobre outros aplicativos
As restrições ao Telegram ocorrem enquanto o WhatsApp denuncia tentativas de bloqueio total no país. Paralelamente, o governo promove o aplicativo nacional MAX, que amplia o controle do Kremlin sobre as comunicações. Até o momento, não há sinal de recuo nas ações contra o Telegram.
As críticas internas expõem fissuras na narrativa oficial de Moscou e evidenciam preocupação crescente com a fluidez das comunicações durante o conflito na Ucrânia.
Com informações de Gazeta do Povo