Centros de alistamento instalados em várias cidades da Venezuela permaneceram praticamente vazios no último fim de semana, apesar da convocação do presidente Nicolás Maduro para ampliar os quadros da Milícia Nacional Bolivariana. A inscrição ocorreu no domingo, 24 de agosto de 2025, dentro do Plano Nacional de Soberania e Paz, e foi divulgada como resposta à presença de navios de guerra dos Estados Unidos no Caribe, próximos à costa venezuelana.
A expectativa do governo era mobilizar grande número de voluntários “contra o imperialismo”, segundo discurso de Maduro. Imagens compartilhadas por veículos independentes, entretanto, mostraram fileiras praticamente desertas em estados e bairros tradicionalmente ligados ao chavismo, como 23 de Enero, em Caracas, e Sabaneta, local de nascimento de Hugo Chávez.
Oposição e organizações civis relataram que o Executivo pressionou servidores públicos a comparecer. De acordo com denúncias, funcionários foram orientados a enviar fotos que comprovassem presença nos postos de alistamento e, em alguns casos, receberam ordens diretas para se registrar. A CNN en Español informou ter observado pessoas usando uniformes de órgãos estatais — mesmo fora do horário de trabalho — fotografando-se diante das mesas de inscrição.
Pelas redes sociais, a líder opositora María Corina Machado classificou a baixa procura como sinal de isolamento do governo: “As praças vazias anunciam o futuro que se aproxima. Não tenham medo, eles sim estão sozinhos”, escreveu.
Milícia criada por Chávez em 2009
Instituída por Hugo Chávez em 2009 e incorporada formalmente às Forças Armadas em 2010, a Milícia Bolivariana é apresentada como o quinto componente militar, ao lado de Exército, Marinha, Aeronáutica e Guarda Nacional. Maduro afirma que o contingente soma 4,5 milhões de integrantes; especialistas consideram o número irreal. O cientista político venezuelano Luis Nunes disse ao jornal peruano El Comercio que a tropa se resume a “alguns milhares de simpatizantes mal armados, muitos deles idosos”.
Relatórios de entidades opositoras indicam que a milícia é composta por servidores públicos, estudantes, donas de casa, trabalhadores informais e aposentados. Parte dos inscritos buscaria acesso a programas de distribuição de alimentos; outros alegam coerção no ambiente de trabalho.

Imagem: Rald Pena R
Novo chamado
Diante do insucesso, o Palácio de Miraflores anunciou nova rodada de inscrições para 29 e 30 de agosto. Para partidos de oposição, a repetição da convocatória evidencia a dificuldade do chavismo em mobilizar apoio popular em meio a uma crise marcada por hiperinflação, falta de alimentos e medicamentos e a emigração de mais de 7 milhões de venezuelanos desde 2014.
O grupo Con Venezuela, ligado a María Corina Machado, resumiu a situação em nota: “Nenhum venezuelano se alista com criminosos”.
Com informações de Gazeta do Povo