Genebra (Suíça) – Estados Unidos e Irã encerraram nesta quinta-feira (26) a terceira rodada de negociações de 2026 sobre o programa nuclear iraniano, informando “bons avanços”, porém ainda sem consenso final.
Os encontros ocorreram na missão diplomática de Omã em Genebra e foram conduzidos pelo chanceler omanita, Badr bin Hamad al Busaidi, que classificou o resultado como “progresso significativo”. As conversas somaram cerca de seis horas, divididas em sessões pela manhã e à tarde, tempo superior ao da rodada anterior.
Irã vê diálogo “mais sério”
O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou à imprensa estatal que esta foi “a discussão mais séria” já mantida pelas partes. Segundo ele, houve avanço concreto nos principais pontos do possível entendimento, embora persistam diferenças. “Em muitos assuntos nossas posições se aproximaram, mas ainda existem divergências”, afirmou.
Próximo encontro já marcado
Delegações decidiram retomar o debate em nível técnico na próxima segunda-feira, 2 de março, em Viena, onde funciona a sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, esteve em Genebra durante a rodada desta quinta, mas não participou diretamente das discussões.
Pontos de impasse
No centro do debate está o alcance do programa nuclear do Irã. Teerã sustenta que suas atividades têm fins exclusivamente civis. Washington, por sua vez, pressiona para limitar a capacidade de enriquecimento de urânio do país e impedir a eventual produção de armamentos nucleares.
Entre as exigências norte-americanas estão a entrega de mais de 400 quilos de urânio enriquecido acima dos níveis de uso civil e a inclusão do programa de mísseis balísticos iranianos na pauta — condições rejeitadas pelo governo iraniano até o momento.
Pressão militar dos EUA
As tratativas ocorrem sob forte tensão. O presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou recentemente o reforço de meios aeronaval no Oriente Médio e advertiu que pode autorizar ação militar contra o Irã caso não haja avanço diplomático, aumentando o temor de escalada regional.
A próxima rodada em Viena deverá aprofundar questões técnicas, enquanto mediadores tentam reduzir as divergências restantes e evitar um colapso nas negociações.
Com informações de Gazeta do Povo