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Autoridades iranianas teriam cobrado até US$ 7 mil para entregar corpos de manifestantes, dizem famílias

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Familiares de manifestantes mortos nas recentes ondas de protestos no Irã relataram à emissora britânica BBC Persian que órgãos de segurança e hospitais exigem pagamentos entre 700 milhões e 1 bilhão de tomans — cerca de US$ 5 mil a US$ 7 mil — para liberar os corpos para sepultamento.

As denúncias vieram a público em 16 de janeiro de 2026. De acordo com as fontes ouvidas, a prática ocorre em diferentes regiões do país e afeta famílias que, em muitos casos, recebem menos de US$ 100 por mês em salários.

Casos relatados

Em Rasht, no norte do Irã, uma família afirmou que agentes exigiram 700 milhões de tomans (US$ 5 mil) para liberar o corpo de um parente mantido no necrotério do Hospital Poursina, onde estariam pelo menos outros 70 manifestantes mortos.

Funcionários de alguns hospitais teriam avisado parentes por telefone para retirarem os corpos o quanto antes, tentando evitar a cobrança pelas forças de segurança.

Estratégias de intimidação

Na capital, Teerã, trabalhadores do necrotério Behesht-e Zahra teriam sugerido às famílias que declarassem o falecido como integrante da força paramilitar Basij, alegando morte causada por manifestantes. Nessa condição, o corpo seria liberado sem custos, segundo a BBC Persian.

Número de vítimas

Levantamentos de organizações de direitos humanos e fontes ligadas ao regime, que falaram sob anonimato, apontam pelo menos 2.435 mortos nos protestos das últimas semanas em todo o país.

As autoridades iranianas não comentaram publicamente as acusações de extorsão até o momento.

Com informações de Gazeta do Povo