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Austrália expulsa embaixador iraniano e culpa Teerã por ataques antissemitas no país

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O governo australiano anunciou nesta terça-feira, 26 de agosto de 2025, a expulsão do embaixador do Irã em Camberra, Ahmad Sadeghi, depois de atribuir a Teerã a coordenação de ataques antissemitas em território nacional. Além do chefe da missão, outros três diplomatas iranianos foram declarados persona non grata e terão sete dias para deixar o país.

Em coletiva, o primeiro-ministro Anthony Albanese classificou a ação como “medida sem precedentes desde o pós-guerra” e informou que o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã passará a integrar a lista australiana de organizações terroristas. Segundo ele, as investidas estrangeiras “visaram minar a coesão social e semear discórdia”.

Incidentes citados pelo governo

Entre os episódios mencionados está o incêndio criminoso de 6 de dezembro de 2024 na sinagoga Adass Israel, em Melbourne. O ataque causou danos expressivos ao edifício; fiéis que rezavam no local escaparam sem ferimentos graves, conforme relatado por Benjamin Klein, membro da diretoria da congregação.

Outro caso, em outubro do mesmo ano, atingiu a cozinha da delicatessen judaica Continental Kitchen, em Bondi, zona leste de Sydney. Embora ninguém tenha ficado ferido, autoridades disseram que o incêndio faz parte da ofensiva atribuída ao Irã.

Medidas diplomáticas

A ministra das Relações Exteriores, Penny Wong, informou que a embaixada australiana em Teerã foi fechada temporariamente e seus funcionários transferidos para um terceiro país por razões de segurança. O governo também recomendou que cidadãos australianos evitem viagens ao Irã — e que aqueles que já estão lá deixem o território iraniano “o quanto antes”.

“O Irã tentou dividir a sociedade australiana e colocou vidas em risco”, afirmou Wong. Ela ressaltou que, apesar do rompimento parcial, Camberra pretende manter canais de diálogo restritos com Teerã.

Contexto de aumento do antissemitismo

De acordo com o ministro do Interior, Tony Burke, os ataques integram uma escalada de ódio contra judeus que se intensificou após o início da guerra entre Israel e Hamas, em outubro de 2023. A comunidade judaica representa cerca de 0,4% da população australiana, estimada em 26 milhões de habitantes.

Burke observou que o antissemitismo “é real e debilitante”, acrescentando que, embora impulsionados por influência externa iraniana, os atentados seguem sendo atos antijudaicos com impacto direto na comunidade local.

Apesar da crise diplomática, Albanese declarou que a Austrália continuará avaliando formas de diálogo com o Irã, mas ressaltou que as ações atribuídas a Teerã “ultrapassaram um limite que não poderia ser ignorado”.

Com informações de Gazeta do Povo