Uma série de atentados entre quinta-feira (21) e sexta-feira (22) deixou pelo menos 20 mortos e mais de 70 feridos na Colômbia, aprofundando as críticas ao programa de “Paz Total” anunciado pelo presidente Gustavo Petro em 2022.
Explosão em Cali
Em Cali, um caminhão carregado de explosivos foi detonado na tarde de quinta (21) na movimentada Carrera Octava, nas proximidades da Escola Militar de Aviação Marco Fidel Suárez. O prefeito Alejandro Éder confirmou que o número de vítimas subiu para sete nesta sexta (22); todas são civis, entre elas um menor de idade. Outras 70 pessoas ficaram feridas. Um segundo veículo, também com bombas, não chegou a explodir.
De acordo com Éder, a população “precisa exigir apoio às forças de segurança para restabelecer a paz no país”.
Suspeitos detidos
O presidente Petro informou a prisão de dois suspeitos, que, segundo ele, “agiram sem armas, mas com explosivos” e foram capturados por moradores logo após a detonação. As autoridades apuram a participação do Estado Maior Central (EMC), dissidência das Farc. Petro relacionou o ataque a recentes operações governamentais contra o EMC no Cañón de Micay, departamento de Cauca.
Helicóptero abatido em Antioquia
No mesmo dia, um helicóptero policial foi atingido em uma zona rural de Amalfi, no departamento de Antioquia, enquanto seguia para uma operação de erradicação de cultivos ilícitos. Treze agentes morreram e quatro ficaram feridos. O presidente atribuiu a ofensiva à Frente 36 do EMC.
Morte de senador
Os atentados ocorrem poucos dias após a morte do senador Miguel Uribe em 11 de agosto. Ele era pré-candidato do partido conservador Centro Democrático à eleição presidencial de 2026 e não resistiu aos ferimentos sofridos em um ataque a tiros dois meses antes, em Bogotá. Investigadores apontam possível envolvimento da facção Segunda Marquetalia, também dissidente das Farc.

Imagem: Ernesto Guzmán via gazetadopovo.com.br
Reações políticas
Líderes da oposição culpam o governo pela deterioração da segurança. O prefeito de Medellín, Fico Gutiérrez, derrotado por Petro em 2022, afirmou que a “Paz Total” representa a rendição do Estado a organizações criminosas e pediu “resposta firme e unânime” contra o terrorismo.
Gustavo Petro defende que o país enfrenta “uma máfia internacional com grupos armados” e insiste em avançar com negociações de cessar-fogo, apesar da escalada de violência.
Os novos ataques elevam a tensão às vésperas das eleições de 2026, colocando em xeque a principal bandeira de segurança do atual governo.
Com informações de Gazeta do Povo