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Ataque israelense no Catar leva Trump a retomar negociações e anunciar primeira etapa de paz em Gaza

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Um bombardeio israelense a um escritório político do Hamas em Doha, em 9 de setembro de 2025, provocou uma guinada na postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vinha demonstrando hesitação em intermediar um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Menos de um mês após o ataque, Trump anunciou na noite de quarta-feira (8) a implementação da primeira fase de um plano de 20 pontos para encerrar a guerra, prevendo a libertação de todos os reféns ainda detidos pelo Hamas e a retirada parcial das tropas israelenses.

Desde a campanha presidencial de 2024, Trump afirmava que o conflito iniciado em outubro de 2023 não teria ocorrido se ele estivesse na Casa Branca. No início do segundo mandato, no entanto, o republicano chegou a propor a retirada total da população palestina de Gaza e um projeto imobiliário para o enclave, ideias que foram abandonadas após forte rejeição de aliados árabes e ocidentais.

A frustração se aprofundou no fim de julho, quando o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, retirou sua equipe de Doha por falta de avanço nas conversas. No dia seguinte, Trump declarou que Israel deveria “terminar o trabalho” em Gaza, sinalizando desistência de um cessar-fogo.

O quadro mudou em 9 de setembro, quando as Forças de Defesa de Israel (FDI) atacaram o quartel-general político do Hamas na capital catariana, matando cinco integrantes do grupo. Ao condenar publicamente o bombardeio contra um aliado estratégico de Washington, Trump passou a receber pressão direta do Catar e de outras nações árabes para reassumir o papel de mediador.

Em 23 de setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, Trump e Witkoff reuniram-se com representantes de países árabes e de maioria muçulmana e apresentaram, de forma preliminar, um esboço de paz. Os diplomatas questionaram se o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aceitaria a proposta. Trump garantiu que resolveria a questão pessoalmente.

Seis dias depois, em 29 de setembro, o plano completo foi divulgado na Casa Branca com Netanyahu ao lado de Trump. Antes da cerimônia, o presidente norte-americano exigiu que o premiê israelense ligasse do Salão Oval para o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al-Thani, pedindo desculpas pelo ataque de 9 de setembro. A Casa Branca divulgou foto de Trump segurando o telefone enquanto Netanyahu conversava com o líder catariano.

No dia 3 de outubro, o Hamas respondeu positivamente aos termos iniciais: concordou em trocar todos os reféns por prisioneiros palestinos e em transferir a administração de Gaza para um governo de tecnocratas palestinos, condicionado a consenso nacional e apoio árabe e islâmico.

Após três dias de negociações no Egito entre representantes de Israel, dos Estados Unidos e do Hamas, Trump anunciou em 8 de outubro o acordo que dá início à primeira etapa do plano. Para Ned Lazarus, professor da Escola Elliott de Relações Internacionais da Universidade George Washington, unir países árabes e muçulmanos em torno de uma proposta também aceita por Israel representa o maior êxito diplomático da atual gestão Trump.

Resta acompanhar se a iniciativa terá resultados duradouros, mas, por ora, o governo norte-americano comemora quatro semanas consideradas as mais produtivas de sua política externa no segundo mandato.

Com informações de Gazeta do Povo