Washington (20.ago.2025) – Peter Navarro, conselheiro sênior de comércio e indústria do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o X na terça-feira (19) para ironizar um escritório de advocacia de Washington que produziu, a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), um plano de lobby destinado a reduzir a nova tarifa sobre produtos brasileiros. No mesmo post, o assessor exigiu a libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Navarro divulgou o link para baixar o folheto preparado pela firma Brownstein Hyatt Farber Schreck e afirmou que seus representantes “jamais” teriam acesso ao seu gabinete na Casa Branca. “Não quero tropeçar na sua gosma. Vocês estão acompanhando o Politico? Libertem Jair Bolsonaro!”, escreveu.
O documento do escritório apresenta “serviços de relações governamentais federais” e lista Navarro como um dos integrantes do governo com quem pretendia dialogar para negociar a redução do tarifaço. A CNI não informou se o contrato chegou a ser fechado.
Tarifa de 50% em vigor
Desde 6 de agosto, uma sobretaxa de 50% incide sobre a maioria dos produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos. Cerca de 700 itens, entre eles suco e polpa de laranja e aeronaves civis, foram poupados. A Casa Branca justificou a medida citando, entre outros pontos, o processo no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe após a eleição de 2022, que o governo Trump classifica como “caça às bruxas”.
Situação de Bolsonaro
O ex-presidente brasileiro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto, por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, que alegou descumprimento de medidas cautelares impostas anteriormente no mesmo inquérito.

Imagem: WILL OLIVER via gazetadopovo.com.br
Perfil de Navarro
Economista e professor universitário, Peter Navarro acompanha Donald Trump desde a campanha de 2016. É considerado o principal formulador da política de tarifas sobre importações adotada pelo republicano no primeiro mandato e ampliada no segundo.
O conselheiro não comentou se novas medidas comerciais serão tomadas caso o Brasil mantenha a contratação do escritório de lobby, limitando-se a dizer que “não há espaço para pressões externas” na definição da política tarifária da gestão Trump.
Com informações de Gazeta do Povo