Buenos Aires — O governo da Argentina interrompeu o processo de mudança de sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. A decisão foi tomada depois que veio a público um projeto da companhia israelense Navitas Petroleum para realizar perfurações de petróleo em alto-mar, nas proximidades das Ilhas Malvinas, a partir de 2028.
A suspensão foi divulgada no fim de semana pela emissora Canal 12, de Israel. Segundo a reportagem, o investimento previsto pela Navitas chega a US$ 2,1 bilhões e conta com participação da britânica Rockhopper.
Em dezembro, o Ministério das Relações Exteriores argentino classificou o empreendimento como “ilegítimo”, citando uma resolução das Nações Unidas de 1976 que proíbe decisões unilaterais sobre o arquipélago enquanto perdurar a disputa entre Argentina e Reino Unido.
De acordo com o jornal The Times of Israel, o chanceler israelense, Gideon Sa’ar, comunicou a Buenos Aires que o governo de Israel não tem envolvimento no projeto. A chancelaria reforçou, em nota, que a Argentina é “uma das melhores e mais próximas amigas de Israel” e que o tema continuará a ser tratado entre as partes.
Promessa adiada
Durante visita a Israel em junho passado, o presidente Javier Milei afirmou que transferiria a representação diplomática argentina para Jerusalém em 2026. Por ora, porém, apenas Fiji, Guatemala, Honduras, Kosovo, Papua-Nova Guiné, Paraguai e Estados Unidos mantêm suas embaixadas na cidade; a maioria dos países permanece instalada em Tel Aviv.
Antecedentes da controvérsia
A disputa pelas Malvinas levou Argentina e Reino Unido à guerra em 1982. Em referendo realizado em 2013, 99,8 % dos moradores do arquipélago votaram pela manutenção do status de território ultramarino britânico.
Com a suspensão anunciada, não há novo prazo definido para a eventual mudança da embaixada argentina em Israel.
Com informações de Gazeta do Povo