Buenos Aires – Ariel García Furfaro, proprietário do laboratório HLB Pharma, foi preso na quarta-feira (20) por determinação da Justiça argentina, acusado de produzir o lote de fentanil contaminado que provocou ao menos 96 mortes no país.
A detenção foi anunciada pela ministra da Segurança, Patricia Bullrich, em publicação na rede X: “Este é Ariel García Furfaro, dono do laboratório de fentanil contaminado. O último que faltava, detido”. Na mesma mensagem, Bullrich afirmou que “ser amigo do poder kirchnerista não salva você”, apontando supostos vínculos do empresário com figuras políticas da corrente peronista.
Segundo a imprensa local, Furfaro entregou-se às autoridades depois de ser notificado sobre o mandado de prisão expedido pelo juiz federal Ernesto Kreplak, responsável pelo caso. A ordem incluiu dezenas de buscas simultâneas e a prisão de diretores, técnicos e acionistas da HLB Pharma e dos Laboratórios Ramallo.
Crise sanitária
O fentanil – opioide sintético utilizado como analgésico e anestésico – foi aplicado em pacientes de unidades de terapia intensiva e estava contaminado por duas bactérias multirresistentes, de acordo com a investigação. O episódio é considerado inédito e grave pelas autoridades de saúde argentinas.
Mais de 20 pessoas são investigadas pela morte de, pelo menos, 96 pacientes. Relatórios preliminares apontam a existência de um complexo esquema societário que abrange pessoas físicas e jurídicas ligadas à HLB Pharma.
Acusações políticas
Em 14 de agosto, o presidente Javier Milei acusou o kirchnerismo de encobrir García Furfaro. O chefe do Executivo citou supostos laços comerciais do empresário com o ex-deputado provincial Andrés Quinteros e questionou o fato de o processo estar nas mãos do juiz Kreplak, irmão do ministro da Saúde da província de Buenos Aires, Nicolás Kreplak, aliado do governador Axel Kicillof.

Imagem: Bruno SznajdermanCom informações da ag via gazetadopovo.com.br
Durante eventos de campanha, Milei afirmou que a “colonização” de órgãos públicos pelo kirchnerismo permitiria “encobrir qualquer barbaridade”. As declarações provocaram gritos de “assassino” dirigidos a Furfaro por simpatizantes do presidente.
Com a prisão do empresário, Bullrich ressaltou que “os culpados pelas mortes por fentanil contaminado já não andam livres” e disse que os detidos “deverão responder perante a Justiça, as famílias e toda a sociedade”.
Com informações de Gazeta do Povo