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Apagões recordes e racionamento de combustível colocam Cuba na pior crise desde 1959

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Cuba atravessa uma crise social e econômica sem precedentes, agravada a partir de janeiro de 2026, quando o governo de Miguel Diáz-Canel decretou um “estado de guerra” diante da crescente pressão dos Estados Unidos.

Energia no limite e moeda em queda livre

O anúncio de Washington de que pode aplicar tarifas a países que forneçam petróleo à ilha provocou rupturas em cadeia. Companhias aéreas cancelaram voos, o regime passou a racionar combustível e a população enfrenta apagões que chegam a 20 horas diárias. Paralelamente, o peso cubano despencou para 500 unidades por dólar.

Estratégia de “Guerra de Todo o Povo” volta ao discurso oficial

Para tentar conter a escalada, Havana retomou a doutrina criada por Fidel Castro nos anos 1980, que prevê mobilização geral contra agressões externas. A retórica, entretanto, não encontra apoio nas ruas, onde contratos de trabalho foram suspensos e o transporte público opera de forma intermitente.

Impacto no turismo e reação dos EUA

O setor de turismo, uma das principais fontes de divisas, foi duramente afetado. O presidente norte-americano Donald Trump declarou que a “ditadura não deve sobreviver até o fim do ano”.

Comparação com crises anteriores

Robert Huish, professor da Universidade de Dalhousie (Canadá), classificou a situação atual como a pior desde a revolução de 1959. Ele lembrou que Cuba já sobreviveu à Crise dos Mísseis de 1962, ao colapso soviético nos anos 1990 e às restrições impostas pela Lei Helms-Burton, mas destacou que, desta vez, há colapso simultâneo dos sistemas de energia, saúde, trabalho e alimentação.

Racionamento já não garante comida

Mesmo antes do agravamento recente, os cubanos recebiam cotas mensais de arroz e feijão suficientes para apenas dez dias. Agora, produtos básicos quase não chegam aos armazéns estatais.

China e Rússia oferecem ajuda, mas evitam confronto direto

Pequim reafirmou apoio político a Cuba e enviará 90 mil toneladas de arroz, além de uma linha emergencial de US$ 80 milhões — soma que se soma aos US$ 100 milhões concedidos em 2024. A chancelaria chinesa voltou a pedir o fim do bloqueio norte-americano.

Moscou, segunda maior origem de turistas para a ilha (131 mil viajantes em 2025), suspendeu voos após ter de evacuar milhares de viajantes retidos em Havana. O Kremlin prepara remessa de “ajuda humanitária”, incluindo petróleo, mas afirma não desejar escalar tensões com Washington.

Com o fornecimento interno de combustível cobrindo apenas 40% da demanda, a sobrevivência dos serviços básicos depende de como — ou se — essa ajuda estrangeira chegará nos próximos meses.

Com informações de Gazeta do Povo