Lisboa – Portugal voltará às urnas em 8 de fevereiro para decidir quem ocupará o Palácio de Belém. Após 40 anos sem segundo turno, a votação de 18 de janeiro de 2026 terminou com o socialista André Seguro na frente, somando 31% dos votos, seguido por André Ventura, do partido Chega, que obteve 24,6%.
Embora a Presidência portuguesa tenha caráter sobretudo simbólico, a mobilização foi expressiva: quase metade do eleitorado compareceu às urnas, o maior índice em duas décadas.
Trajetória política
Nascido em 15 de janeiro de 1983, Ventura começou no Partido Social Democrata (PSD). Foi eleito vereador em 2017, mas deixou o cargo e o partido em 2018, alegando “traição” interna. No ano seguinte criou o Chega, legenda pela qual concorreu ao Parlamento Europeu e, em 2021, à Presidência, alcançando o terceiro lugar com mais de 490 mil votos.
Formado em Direito pela Universidade Nova de Lisboa e doutor em Direito Público pela Universidade de Cork, na Irlanda, Ventura já atuou como professor universitário e comentarista esportivo em TV, onde ganhou popularidade.
Críticas a Lula
Ventura ficou conhecido internacionalmente pelas declarações contra o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chama de “ladrão” desde 2023. Naquele ano, no Parlamento português, disse compreender “a fúria” de brasileiros contrários ao retorno de “um bandido” ao Planalto. O vídeo viralizou, e o deputado passou a reiterar a acusação em manifestações públicas.
Em dezembro de 2025, questionado na televisão se receberia Lula caso eleito, respondeu que teria “dificuldade”, pois “não gosta de estar com ladrões”. Para Ventura, o petista deveria ser condenado pela proximidade com Rússia e China, pela relutância em criticar ditaduras latino-americanas e pelos escândalos de corrupção no Brasil.
Agenda e apoio internacional
Defensor de liberalismo econômico e conservador nos costumes, Ventura prega reforma constitucional para reduzir o número de deputados, introduzir prisão perpétua, ampliar penas por corrupção e permitir castração química ou física de condenados por crimes sexuais contra crianças. Também quer limitar cargos de primeiro-ministro e ministros apenas a cidadãos portugueses e extinguir o que chama de “ideologia de gênero”.
O político propõe ainda controle mais rígido das fronteiras. Em discurso de 2024, disse que apenas quem “ama Portugal” deveria entrar no país, prometendo deportar estrangeiros que cometam crimes após o cumprimento da pena.
O ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos manifestaram apoio a Ventura nas eleições legislativas. O português retribuiu agradecendo o gesto e atacando a esquerda local.
Com a bandeira “Salvar Portugal”, Ventura tenta agora transformar o desempenho de 24,6% votos em vitória no segundo turno – resultado que, se confirmado, colocará seu discurso anti-Lula e anti-sistema no centro da política portuguesa.
Com informações de Gazeta do Povo