Aliados do ex-ditador Bashar al-Assad organizam grupos armados para tentar minar a administração que governa a Síria desde a queda do regime, há um ano. A informação foi divulgada pela agência Reuters nesta sexta-feira, 5 de dezembro de 2025.
Segundo a reportagem, o major-general Kamal Hassan, ex-chefe de inteligência, e o empresário bilionário Rami Makhlouf, primo de Assad, competem para montar milícias no litoral sírio e no Líbano. Ambos recrutam principalmente integrantes da minoria alauíta, base histórica da família Assad.
A ofensiva rebelde que derrubou o ditador em dezembro de 2024 levou Assad, familiares e figuras de alto escalão a se refugiarem na Rússia, encerrando mais de cinco décadas de domínio da família sobre o país árabe.
Disputa por lealdade
Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que Hassan, Makhlouf e outras facções já financiam mais de 50 mil combatentes com o objetivo de garantir apoio quando decidirem agir contra o governo instalado em Damasco.
Dois oficiais e um governador regional sírio acrescentaram que a dupla controla 14 centros de comando subterrâneos, construídos na reta final do antigo regime, além de depósitos de armas situados na costa.
Papel do irmão de Assad
Quatro pessoas próximas ao ex-presidente revelaram que Maher al-Assad, irmão do ditador e também exilado em Moscou, mantém influência sobre milhares de antigos soldados espalhados pelo Oriente Médio. Até o momento, porém, ele não teria liberado recursos nem emitido ordens para operações contra o governo sírio.
Para a pesquisadora Annsar Shahhoud, especialista no período Assad, a atual disputa deixou de girar em torno de agradar o ex-líder; agora, o foco seria apontar um sucessor capaz de comandar a comunidade alauíta e, consequentemente, reaver poder no país.
As celebrações pelo primeiro aniversário da libertação de cidades como Hama, no centro da Síria, contrastam com os esforços desses grupos, que buscam reacender a instabilidade e recuperar espaço político e militar.
Com informações de Gazeta do Povo