Berlim – O governo alemão encaminhou nesta quarta-feira (27) ao Parlamento um projeto de lei que pretende aumentar de forma expressiva o efetivo das Forças Armadas e, se necessário, restabelecer a conscrição suspensa em 2011.
A proposta, anunciada pelo chanceler Friedrich Merz ao lado do ministro da Defesa Boris Pistorius, estabelece um modelo híbrido: voluntário em princípio, mas com possibilidade de convocação obrigatória caso as metas de alistamento não sejam alcançadas.
Mais 80 mil militares até 2031
O plano estipula elevar o contingente ativo de pouco mais de 180 mil para 260 mil soldados, além de reforçar a reserva, hoje inferior a 50 mil integrantes. Para isso, o governo pretende passar dos atuais 15 mil voluntários anuais para 40 mil até 2031.
Questionário obrigatório aos 18 anos
Pelo texto, todos os homens que completarem 18 anos deverão responder a um questionário on-line indicando interesse, habilidades e qualificações para o serviço. Mulheres poderão ingressar de forma voluntária.
Incentivos financeiros
Para atrair recrutas, o salário líquido inicial será elevado para cerca de 2,3 mil euros (aproximadamente R$ 14,5 mil), com seguro incluído, além de programas de carreira e treinamento flexíveis.

Imagem: John Lucas
Entrada em vigor em 2026
Se aprovado, o novo sistema começará a valer em 2026. Eventual retorno integral do serviço obrigatório dependerá de votação posterior no Parlamento, segundo Merz.
Contexto de segurança
O governo argumenta que a ampliação da Bundeswehr é resposta ao cenário internacional marcado pela guerra na Ucrânia e pela postura considerada agressiva da Rússia. Além disso, após a reeleição de Donald Trump, aumentou a pressão para que países da Otan destinem pelo menos 5% do PIB a defesa, meta que Berlim diz querer cumprir.
Com informações de Gazeta do Povo