Teerã – O aiatolá Alireza Arafi, de 66 anos, assumiu neste domingo (1º) a presidência do conselho interino encarregado de conduzir a transição política no Irã. O colegiado atua em conjunto com o presidente Masoud Pezeshkian e com o chefe do Poder Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei.
Arafi é clérigo e jurista xiita. Atualmente lidera o Centro de Gestão dos Seminários Islâmicos, ocupa um assento no Conselho dos Guardiães e exerce a segunda vice-presidência da Assembleia de Especialistas, responsável por escolher o líder supremo.
Trajetória moldada por Khamenei
Todos os principais cargos de Arafi foram resultado de nomeações do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo desde 1989. Nascido em Meybod, província de Yazd, Arafi pertence a uma família clerical cuja conversão ao islamismo data do século XIX. Seu pai, o aiatolá Mohammad Ibrahim Arafi, era próximo ao fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini.
Principais marcos da carreira
• 1992 – Passa a dirigir as orações de sexta-feira em Meybod.
• 2008 a 2018 – Preside a Universidade Al-Mustafa Internacional.
• 2015 – Assume as orações de sexta-feira em Qom.
• 2016 – Torna-se responsável por todos os seminários religiosos do país.
• 2019 – É indicado para o Conselho dos Guardiães.
Diálogo inter-religioso com o Vaticano
Reitor da Universidade de Qom em 2020, Arafi enviou carta ao papa Francisco agradecendo a atenção dedicada aos mais vulneráveis durante a pandemia de Covid-19 e sugerindo cooperação entre instituições católicas e xiitas. Dois anos depois, encontrou-se com o pontífice na Cidade do Vaticano.
Críticas aos EUA e a Israel
Durante as comemorações do 46º aniversário da Revolução Islâmica, em 11 de fevereiro de 2025, o aiatolá liderou as orações nacionais. Na ocasião, afirmou que a revolução ultrapassou o campo político, redefinindo as bases intelectuais e culturais da ummah iraniana. Ele também condenou operações militares de Estados Unidos e Israel na Faixa de Gaza, classificando-as como expressão do “sistema imperialista” e alertando para o risco de que a violência se alastre para outras regiões.
Com a nova função, Alireza Arafi passa a concentrar ainda mais poder no núcleo político-religioso que administra o país durante o período de transição.
Com informações de Gazeta do Povo