Home / Internacional / Acordo Israel–Hamas avança, mas três questões continuam em aberto

Acordo Israel–Hamas avança, mas três questões continuam em aberto

ocrente 1760538978
Spread the love

15/10/2025 – Oriente Médio. A primeira etapa do acordo de paz mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu a libertação de 20 reféns israelenses e um cessar-fogo na Faixa de Gaza, mas deixou em evidência três pontos ainda sem solução: a governança de Gaza no pós-guerra, o desarmamento do Hamas e o financiamento da reconstrução do território.

Governança de Gaza após o conflito

O plano elaborado por Washington prevê que, depois da guerra, a Faixa de Gaza seja administrada por um governo de transição formado por um comitê tecnocrático palestino, sem participação do Hamas. Esse colegiado contaria com especialistas palestinos e internacionais e seria supervisionado por um novo órgão denominado Conselho de Paz, a ser presidido por Trump. O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair chegou a ser cogitado para um posto relevante nesse processo.

Também está proposta a criação de uma Força Internacional de Estabilização (ISF), que treinaria forças policiais palestinas aprovadas para substituir a presença das Forças de Defesa de Israel (IDF) em Gaza. Até o momento, Israel não deu aval a essa disposição, e detalhes operacionais da ISF continuam indefinidos.

Desarmamento do Hamas

A segunda fase do acordo, anunciada por Trump na terça-feira (14), inclui a entrega de armas pelo Hamas e anistia aos integrantes que aderirem à medida. O grupo, contudo, considera a renúncia ao armamento uma “linha vermelha” e aceita com mais facilidade deixar o controle administrativo de Gaza do que abrir mão de seu arsenal.

Desde o cessar-fogo, vídeos divulgados nas redes sociais mostram milicianos do Hamas armados em confrontos com clãs rivais, sinalizando resistência à entrega de armas. Em Washington, Trump advertiu que, caso o Hamas não se desarme de forma voluntária, isso será feito “rápida e à força”. Segundo o presidente americano, a cúpula do grupo garantiu que cumprirá o compromisso.

Custo e fontes de financiamento para reconstrução

A reconstrução de Gaza é outro tema sem resposta clara. Não há estimativas oficiais sobre o montante necessário nem definição de quem arcará com os custos de infraestrutura e assistência para a população local, afetada por anos de bloqueio e pelos bombardeios da guerra.

A tensão foi agravada na quarta-feira (15), quando Israel denunciou que o Hamas devolveu apenas restos mortais de um morador de Gaza, enquanto famílias israelenses aguardavam a repatriação dos corpos de parentes mortos. Na véspera, o governo israelense havia alertado que atrasos na entrega dos reféns poderiam ser considerados violação do acordo.

Com essas incertezas, mediadores internacionais buscam manter o cessar-fogo enquanto negociam soluções para governança, segurança e reconstrução da Faixa de Gaza.

Com informações de Gazeta do Povo