Bogotá — As últimas pesquisas para a eleição presidencial colombiana, marcada para 31 de maio de 2026, apontam o advogado Abelardo de la Espriella, 47 anos, como principal rival de Iván Cepeda, nome apoiado pelo presidente Gustavo Petro, impedido de concorrer à reeleição pela legislação do país.
Ascensão nas sondagens
Levantamentos de opinião mostram Espriella ora colado em Cepeda, ora na liderança. O candidato fundou o movimento Defensores da Pátria e ganhou o apelido de “Milei colombiano” por defender ampla liberdade econômica e cortes nos gastos do Estado. Como símbolo de campanha, escolheu o tigre, numa estratégia que remete ao leão adotado pelo argentino Javier Milei em 2023.
Plataforma conservadora
Além da agenda liberal, o presidenciável promete restringir o aborto e adotar mão de ferro contra o crime organizado. Em comício realizado em Bogotá, em novembro, ele declarou ter deixado uma “vida tranquila” em Florença, na Itália, para “salvar” a Colômbia. “Esta não é apenas uma batalha política, mas também moral e espiritual. O Tigre despertou”, discursou.
Apoios e críticas a Petro
Durante o mesmo evento, a deputada norte-americana María Elvira Salazar (Partido Republicano) enviou vídeo de apoio, afirmando que o distanciamento entre Petro e o então presidente dos EUA, Donald Trump, prejudicaria a economia colombiana.
Em 2024, Espriella atacou Petro em mensagem na rede X, acusando-o de facilitar toda a cadeia do narcotráfico, “do plantio ao consumo”.
Pontos controversos
O advogado causou polêmica ao sugerir a legalização de 10% dos recursos provenientes do narcotráfico, mineração ilegal e demais delitos. “Por que não fazer isso?”, questionou à revista Semana.
Na carreira jurídica, atuou na defesa de figuras como Jorge Visbal — ex-senador e ex-presidente da Federação Colombiana de Pecuaristas, condenado por vínculos com as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) —, do empresário Alex Saab, apontado como operador financeiro do regime venezuelano de Nicolás Maduro, e de David Murcia Guzmán, fundador da pirâmide DMG.
Espriella rebate críticas lembrando que nunca foi punido criminal ou disciplinarmente e que deixou de representar Saab após o cliente recusar cooperação com a DEA. A Procuradoria-Geral arquivou, em 2009 e 2017, investigações sobre supostas ligações dele com paramilitares e possíveis tentativas de extorsão.
Com as urnas se aproximando, o “tigre” liberal segue capitalizando insatisfação com o governo de esquerda e tenta converter visibilidade e polêmicas em votos suficientes para levar a disputa ao segundo turno — ou, segundo algumas pesquisas, até para superá-la já na primeira etapa.
Com informações de Gazeta do Povo