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Em dez anos, Venezuela desaba de 4.º para 29.º maior compradora do agro brasileiro

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Brasília – A participação da Venezuela nas exportações do agronegócio brasileiro encolheu drasticamente na última década. Em 2014, o país ocupava a 4.ª posição no ranking de importadores do setor; em 2024, caiu para o 29.º lugar, segundo dados dos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Em valores, as compras venezuelanas somaram US$ 2,98 bilhões em 2014, equivalentes a 3,9% das vendas externas do agro nacional. No ano passado, os embarques recuaram para US$ 919 milhões, fatia de apenas 0,6% do total – queda de 69% no período.

Proteína animal deixa praticamente de chegar a Caracas

O segmento de proteína animal foi o mais afetado. As exportações brasileiras de carnes à Venezuela caíram de 364,3 mil toneladas em 2014 para 5,2 mil toneladas em 2024, redução de 98,6%. A receita passou de US$ 1,3 bilhão para US$ 13 milhões.

No detalhe:

  • Carne de frango: de 200 mil t (2014) para 927 t (2024);
  • Carne bovina: de 160,3 mil t para 723 t;
  • Animais vivos (exceto pescados): de 248,3 mil t para 25 t.

Produtos lácteos, outro item relevante no comércio bilateral, também despencaram: de 39,2 mil t para 2,2 mil t, retração de 94,3%.

Cereais e óleo de soja avançam

Enquanto itens de maior valor agregado perderam espaço, produtos básicos ganharam terreno. Entre 2014 e 2024, cresceram os embarques de:

  • Cereais: +162,5%;
  • Óleo de soja: +718%;
  • Preparações à base de cereais: +183,6%.

O açúcar seguiu entre os principais itens vendidos, embora com recuo de 45,1% no volume em dez anos.

Crise econômica e fatores diplomáticos

A contração nas compras acompanha a crise socioeconômica que atinge a Venezuela sob o governo de Nicolás Maduro, marcada por hiperinflação, queda na produção de petróleo e sanções internacionais. Além disso, especialistas atribuem parte da retração à mudança de orientação do governo brasileiro após o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, quando contatos político-diplomáticos foram reduzidos.

Outro ponto foi o fim da tolerância com dívidas venezuelanas. O Banco Central suspendeu em 2017 os registros do país no Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos (CCR) por atrasos frequentes. Em 2019, a autoridade monetária retirou-se unilateralmente do mecanismo, depois que o Tesouro Nacional arcou com R$ 1,38 bilhão em garantias a exportadores brasileiros.

A crise venezuelana se intensificou a partir de 2015, com queda da cotação do petróleo e redução da produção. Em 2021, 95% da população estava na pobreza, segundo a pesquisa Encovi, e a inflação anualizada chegou a 26% em maio de 2024, de acordo com o Venezuelan Finance Observatory (OVF).

Com informações de Gazeta do Povo