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The Economist aponta “brasileirização” como novo risco fiscal para Estados Unidos e Japão

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A revista britânica The Economist lançou, em 13 de fevereiro de 2026, um alerta a respeito do que chamou de “brasileirização” das finanças públicas em nações ricas, citando Estados Unidos e Japão como exemplos de economias que começam a reproduzir problemas típicos do cenário fiscal brasileiro.

O que é a “brasileirização”

De acordo com a publicação, o termo descreve o ponto em que dívidas crescentes, descumprimento de regras de gastos e orçamentos engessados passam a comprometer a confiança na economia e a estabilidade da moeda. A revista destaca que, assim como no Brasil, governos de países desenvolvidos têm priorizado promessas populares de curto prazo, mesmo sem garantia de recursos futuros.

Previdência sob pressão

O relatório compara o peso do gasto previdenciário brasileiro ao japonês. Ambos consomem cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) com aposentadorias. A diferença é demográfica: enquanto o Japão tem uma das populações mais idosas do planeta, o Brasil ainda é relativamente jovem, mas concentra grande parte das despesas em servidores públicos e militares, limitando recursos para investimentos em infraestrutura e tecnologia.

Custo do Judiciário

A reportagem lembra que o Judiciário brasileiro é o segundo mais caro do mundo em termos proporcionais, absorvendo 1,3% do PIB. Além da folha salarial elevada, decisões judiciais frequentemente obrigam o governo a manter benefícios não previstos em orçamento, dificultando iniciativas de ajuste fiscal.

Incentivos fiscais prolongados

Outro ponto citado é a concessão de isenções tributárias programadas para durar até 2073. Segundo a análise, a renúncia bilionária de receitas prejudica áreas como saúde e educação, além de criar complexidade no sistema de impostos, impondo altos custos administrativos às empresas.

Impacto nos juros e na população

Com as contas públicas pressionadas, o Banco Central brasileiro mantém juros reais próximos de 10% ao ano para conter a inflação. As taxas elevadas encarecem crédito para compra de imóveis, veículos e abertura de negócios, resultando em menor geração de empregos e crescimento econômico limitado.

Para a The Economist, sem reformas que enfrentem interesses corporativos e privilégios, tanto países ricos quanto o Brasil correm o risco de permanecer presos a ciclos de endividamento alto, investimentos reduzidos e baixo avanço no bem-estar social.

Com informações de Gazeta do Povo