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Tensão no Irã dispara petróleo e pressiona economia brasileira

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São Paulo, 3 de março de 2026 – A ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, batizada de “Operação Epic Fury” e executada no sábado, 28 de fevereiro, provocou forte reação nos mercados globais. Com a morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e o temor de bloqueio do Estreito de Ormuz, o barril do Brent avançou mais de 10% e já é cotado perto de US$ 100.

Risco no Estreito de Ormuz eleva prêmio de segurança

Cerca de 35% do petróleo mundial atravessa diariamente o Estreito de Ormuz. Qualquer interrupção nessa rota estratégica pode retirar grande volume de oferta do mercado, razão pela qual analistas projetam o Brent entre US$ 100 e US$ 120 caso o bloqueio se prolongue. O movimento reflete o chamado “prêmio de risco”, ajuste feito pelos agentes para compensar a possibilidade de falta de produto.

Efeito cascata nos combustíveis e na inflação

No Brasil, a Petrobras é pressionada a repassar parte da alta internacional aos preços nas refinarias. Estimativas indicam que cada 1% de aumento na gasolina adiciona 0,05 ponto percentual ao IPCA. O diesel mais caro eleva o custo do frete de caminhões e, em cadeia, encarece alimentos e produtos industrializados nas gôndolas.

Setores que ganham e perdem na B3

Empresas ligadas a óleo e gás, como a Petrobras, tendem a se beneficiar da valorização da commodity. Por outro lado, exportadoras de grãos e carnes enfrentam custos maiores de transporte e possível retração na demanda do Oriente Médio. As companhias aéreas figuram entre as mais prejudicadas, pois o querosene de aviação sofre reajuste quase imediato.

Dilema do Banco Central

Antes da escalada do conflito, o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizava novos cortes na taxa Selic para estimular a atividade. A combinação de barril mais caro e dólar em alta, porém, eleva as expectativas de inflação e pode levar a autoridade monetária a manter os juros elevados por um período maior. A próxima reunião do Copom, marcada para março, deve trazer uma comunicação mais cautelosa.

Sem perspectiva de cessar-fogo, o desdobramento da crise no Oriente Médio seguirá no radar de investidores, governo e consumidores brasileiros.

Com informações de Gazeta do Povo