Brasília — Entidades que representam 757 instituições financeiras divulgaram nesta segunda-feira (5) uma carta pública em defesa da independência do Banco Central (BC). O manifesto reage à decisão do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou inspeção urgente nos documentos que embasaram a liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro do ano passado.
No despacho, o TCU exigiu a reconstrução do processo decisório do BC e a avaliação de motivação, coerência e proporcionalidade da intervenção. O tribunal apura se houve irregularidades na medida que encerrou as atividades do Master, acusado de negociar carteiras de crédito supostamente fraudulentas com o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12 bilhões.
Na carta, entidades como Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Acrefi, ABBC, Zetta e Anbima afirmam confiar “plenamente” nas decisões técnicas do Banco Central, tanto no âmbito regulatório como na fiscalização do sistema financeiro. O grupo considera que a iniciativa do TCU gera insegurança institucional ao abrir espaço para interferências externas.
“Preservar a independência institucional do Banco Central é essencial para garantir um sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro”, diz o texto, ressaltando que a autoridade monetária atua de forma “exclusivamente técnica, prudente e vigilante”.
A insatisfação com a investigação do TCU já havia sido expressa por diversas associações do setor desde dezembro. As novas manifestações reforçam a posição do mercado de que decisões de supervisão bancária não podem ser fragilizadas.
Ao justificar a liquidação do Banco Master, o Banco Central informou ter identificado dificuldades recorrentes de caixa, captação de recursos a custos elevados, exposição a ativos de baixa liquidez e indícios de irregularidades contábeis e operacionais. Segundo a autarquia, todos os dados foram encaminhados a órgãos de controle, entre eles o próprio TCU e o Ministério Público Federal.
Com informações de Gazeta do Povo