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Servidores do IBGE lançam abaixo-assinado contra gestão de Marcio Pochmann e cobram autonomia

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Brasília, 25 de fevereiro de 2026 – Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgaram uma carta aberta acompanhada de abaixo-assinado em que denunciam represálias internas e reivindicam garantia de autonomia institucional, além de mudanças no processo de escolha da presidência do órgão.

Documento intensifica crise com a atual gestão

O texto, ao qual O Globo teve acesso e cuja autenticidade foi confirmada pela Gazeta do Povo, sustenta que o conflito se agravou desde a chegada de Marcio Pochmann ao comando do instituto, em janeiro de 2023, por indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo os autores, nos últimos meses houve “sucessivas exonerações e pressões internas” que teriam fragilizado a estrutura técnica da autarquia.

O IBGE não pertence a governos. Pertence à República”, afirma a carta, que descreve a situação como ameaça à credibilidade construída em quase nove décadas de atuação.

Exonerações e saídas de referência técnica

Entre 2023 e 2024, mais de 20 servidores teriam sido retirados de seus cargos, de forma imposta ou a pedido, por discordâncias técnicas com a direção. O documento relata novos desligamentos em 2025 e destaca que, em janeiro de 2026, a crise atingiu “o núcleo mais sensível da produção estatística brasileira”.

O episódio mais grave, apontam os signatários, foi a saída da coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis, referência no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), durante a elaboração da nova base do indicador. Para os servidores, a exoneração simboliza “perda de critérios técnicos e aumento de decisões administrativas com viés político”.

Sindicato fala em “gestão desastrosa”

A Assibge-Sindicato Nacional (Assibge-SN) declarou que o manifesto reflete a “crescente preocupação” da categoria. Em nota, a entidade afirmou que Pochmann se recusa a receber representantes sindicais, aceita apenas colaborações “dentro de seus próprios termos” e “despreza o saber acumulado” pelos quadros do IBGE.

Servidores defendem lista tríplice e PEC da autonomia

O abaixo-assinado pede que a presidência do instituto deixe de ser indicada diretamente pelo chefe do Executivo e passe a obedecer a uma lista tríplice votada pelos próprios servidores, modelo já aplicado em outras instituições públicas. O texto também apoia a PEC 27/2021, que prevê transformar IBGE, Inep, Ipea, Capes e CNPq em órgãos permanentes de Estado, com independência técnica e orçamentária.

Para os signatários, tensionar a credibilidade do IBGE “fragiliza políticas públicas, decisões orçamentárias, relações federativas e a própria segurança jurídica do Estado brasileiro”. Até o fechamento desta reportagem, o IBGE não havia comentado o teor do manifesto.

Com informações de Gazeta do Povo