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Senador dos EUA quer que inteligência investigue avanço chinês no agronegócio brasileiro

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Washington (EUA) – O senador republicano Tom Cotton, do Arkansas, incluiu no Intelligence Authorization Act para o ano fiscal de 2026 uma determinação para que a Agência Central de Inteligência (CIA), a Agência de Segurança Nacional (NSA) e outros órgãos de inteligência dos Estados Unidos investiguem a presença e os investimentos da China no setor agrícola brasileiro. O texto busca avaliar eventuais impactos desse avanço na cadeia global de suprimentos e na segurança alimentar.

A proposta foi aprovada na Comissão de Inteligência do Senado, composta por nove republicanos e oito democratas, colegiado presidido por Cotton. Para entrar em vigor, ainda precisa passar pelo plenário do Senado, pela Câmara dos Representantes e receber a sanção do presidente Donald Trump.

Perfil conservador e críticas à China

Eleito pelo Arkansas e alinhado a Trump, Tom Cotton, 47 anos, é um dos parlamentares mais duros contra o Partido Comunista Chinês. Entre suas iniciativas recentes, defende:

  • restrições a estudantes chineses em áreas sensíveis de ciência e tecnologia em universidades dos EUA;
  • um plano de desacoplamento econômico, com aumento de investimentos domésticos;
  • revogação do status de “Transações Comerciais Mais Favorecidas” permanente da China, substituindo-o por renovações anuais condicionadas a critérios de direitos humanos.

Em fevereiro de 2025, Cotton lançou o livro Seven Things You Can’t Say About China, que entrou na lista de mais vendidos do New York Times. Na obra, descreve o que classifica como infiltração chinesa em Hollywood, Wall Street, universidades, mídia e política norte-americanas.

Críticas a Lula e a Biden

O senador já havia demonstrado preocupação com a aproximação entre Brasil e China. Em abril de 2023, no programa Hannity, da Fox News, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é “crítico, se não abertamente hostil, aos Estados Unidos” e atribuiu à “fraqueza” do então presidente Joe Biden a consolidação de um “eixo do mal” liderado por Pequim.

Cotton citou Brasil, Emirados Árabes Unidos, Irã e Arábia Saudita como exemplos de países que estariam se voltando para a China.

Defesa de tarifas e histórico militar

Em julho de 2025, o republicano apoiou a política tarifária de Trump para proteger produtores locais, citando os agricultores do Arkansas, responsáveis por mais de 40% da produção de arroz dos EUA.

Nascido em 1977, Cotton cresceu em uma fazenda de gado no Condado de Yell (Arkansas). Formou-se em Direito em Harvard, serviu no Exército entre 2004 e 2009 – com passagens pelo Afeganistão e Iraque – e entrou na reserva antes de iniciar a carreira política. Foi eleito para a Câmara dos Representantes em 2012 e, dois anos depois, venceu a disputa ao Senado contra o democrata Mark Pryor.

Senador dos EUA quer que inteligência investigue avanço chinês no agronegócio brasileiro - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução via gazetadopovo.com.br

Projetos para restringir compra de terras por chineses

Em agosto de 2022, ao lado do também republicano Tommy Tuberville, Cotton apresentou projeto de lei para proibir membros do Partido Comunista Chinês de adquirir terras nos EUA. Em 2023, reapresentou proposta mais ampla, vedando a qualquer cidadão ou instituição chinesa a compra de imóveis no país e permitindo que o presidente exija a venda de propriedades consideradas risco à segurança nacional. O texto foi novamente protocolado em janeiro de 2025, após o início do segundo mandato de Trump.

A medida federal segue modelo de lei em vigor no Arkansas desde 2023, sancionada pela governadora Sarah Huckabee Sanders, ex-assessora de campanha de Cotton.

Tecnologia e segurança nacional

Em maio de 2025, o senador apresentou proposta para criação de mecanismos de rastreamento em chips de inteligência artificial exportados, com o objetivo de impedir acesso não autorizado, principalmente pela China. No mesmo período, criticou a Intel pela nomeação do executivo chinês Lip-Bu Tan como CEO, alegando que ele investiu US$ 200 milhões em empresas ligadas ao Exército de Libertação Popular.

Em junho, Cotton enviou carta ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, questionando a utilização de engenheiros baseados na China pela Microsoft em contratos de nuvem do Pentágono. O Departamento de Defesa abriu revisão de emergência e, dias depois, a empresa anunciou que deixaria de empregar profissionais da China nesses serviços. Na semana passada, o senador pediu que o Pentágono proíba totalmente o acesso de não cidadãos norte-americanos a sistemas sensíveis de defesa.

Ao comentar a inclusão do dispositivo sobre o agronegócio brasileiro no Intelligence Authorization Act, Cotton declarou que a medida “manterá os Estados Unidos mais seguros” e tornará as agências de inteligência “mais transparentes e eficientes”.

Com informações de Gazeta do Povo