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Sanções dos EUA travam pagamento de dívida de US$ 1,8 bilhão da Venezuela ao Brasil, diz chanceler

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Brasília — O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (1º) que a Venezuela deixou de pagar uma dívida de US$ 1,8 bilhão com o Brasil devido às sanções impostas pelos Estados Unidos, que dificultam a realização de transferências financeiras ao exterior.

Em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, o chanceler detalhou que o valor corresponde a US$ 1,2 bilhão em parcelas vencidas e US$ 529 milhões em juros, segundo balanço de 31 de julho deste ano.

Vieira explicou que, desde 2023, funciona uma mesa de negociação com o governo venezuelano para buscar uma solução. Ele informou ainda que dívidas de fornecedores privados brasileiros já foram cobertas pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE).

“Sanções unilaterais impostas ao sistema financeiro venezuelano inviabilizam remessas para fora daquele país. O governo brasileiro seguirá engajado em todas as instâncias possíveis para encaminhar a questão”, declarou o ministro.

Dificuldades adicionais

O chanceler ressaltou que a Venezuela não integra o Clube de Paris, fórum que reúne credores internacionais, o que complica acordos multilaterais. Para ingressar no grupo, o país precisaria normalizar relações com o Banco Mundial e o FMI — cenário que Vieira considera improvável no curto prazo.

Documento da Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, enviado em abril ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), confirma que o governo brasileiro cobra periodicamente o pagamento e reporta os atrasos a organismos como o próprio Clube de Paris.

Empréstimos do BNDES

Questionado por parlamentares, Mauro Vieira lembrou que recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram destinados a obras de infraestrutura tocadas por empresas brasileiras na Venezuela. O ministro disse que os dois governos negociam a quitação desses valores.

A Venezuela enfrenta sanções não apenas dos Estados Unidos, mas também do Reino Unido e da União Europeia. O governo norte-americano emitiu uma ordem de prisão contra o presidente Nicolás Maduro por suposto envolvimento em tráfico de drogas e corrupção, acusações que ele nega.

Com informações de Gazeta do Povo