Oito fundos previdenciários estaduais e municipais que aplicaram recursos em títulos do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central, encerraram 2025 com déficit somado de R$ 1,6 bilhão, segundo levantamento com base nos balanços mais recentes disponíveis no Ministério da Previdência Social.
A apuração, divulgada nesta segunda-feira (9) pela GloboNews, mostra que 18 fundos públicos direcionaram, no total, R$ 1,86 bilhão para letras financeiras do banco controlado por Daniel Vorcaro. Esse tipo de investimento não é coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e costuma ser classificado como de alto risco para regimes próprios de previdência.
Maiores déficits identificados
Estaduais
- Amprev (Amapá) – R$ 394,9 milhões, relativos a contribuições de servidores militares.
- Amazonprev (Amazonas) – R$ 751,1 milhões negativos entre servidores civis.
- Rioprevidência (Rio de Janeiro) – R$ 16,7 milhões de déficit para civis e R$ 8,7 milhões para militares.
Municipais
- Maceió Previdência (AL) – R$ 299,4 milhões.
- Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (MS) – R$ 124,8 milhões.
- Araraprev, de Araras (SP) – R$ 72,4 milhões.
- IPREM, de Santa Rita do Oeste (SP) – R$ 988,4 mil.
- PreviPaulista, de Paulista (PE) – R$ 222,7 mil.
Consequências da liquidação
Com a liquidação extrajudicial do Banco Master, os valores aplicados passaram a integrar a lista de credores da instituição, sem garantia de ressarcimento integral. O desequilíbrio impacta os cálculos atuariais dos regimes próprios e pode comprometer, no longo prazo, o pagamento de aposentadorias e pensões.
No início de janeiro, o Ministério da Previdência determinou que estados e municípios terão de cobrir eventuais insuficiências caso faltem recursos para honrar benefícios.
Reações e medidas judiciais
A Amprev informou que obteve autorização da 2ª Vara de Fazenda Pública de Macapá para reter valores de empréstimos consignados que seriam repassados ao Banco Master, mantendo-os em conta específica no Banco do Brasil até decisão final. Amazonprev e Rioprevidência também recorreram ao Judiciário; o órgão fluminense conseguiu decisão para segregar créditos estimados em R$ 970 milhões.
Entre os municípios, o IPREM de Santa Rita do Oeste declarou que as aplicações seguiram pareceres técnicos de consultorias especializadas. O PreviPaulista atribuiu o investimento à gestão anterior, contratou escritório jurídico para responsabilizar envolvidos e elaborou plano de contingenciamento. Já o Maceió Previdência afirmou que, na época do aporte, o Banco Master estava habilitado nos órgãos reguladores e que a operação recebeu aval do conselho.
Com informações de Gazeta do Povo