Brasília — Um documento da Unit 42, divisão de inteligência da empresa norte-americana Palo Alto Networks, aponta que o Ministério de Minas e Energia (MME) foi um dos alvos de uma campanha de ciberespionagem atribuída ao grupo TGR-STA-1030, supostamente alinhado a interesses estatais na Ásia.
Escaneamento global
De acordo com o relatório, entre novembro e dezembro de 2025 o grupo realizou varreduras em infraestruturas governamentais de 155 países para identificar vulnerabilidades. Nos últimos 12 meses, ataques efetivos teriam atingido órgãos e instalações críticas em ao menos 37 nações.
A Unit 42 afirma ter “alto grau de confiança” de que a operação possui motivação econômica e estratégica. O Brasil entrou na mira, segundo os pesquisadores, por deter a segunda maior reserva mundial de minerais de terras raras, insumos essenciais para setores de tecnologia, energia e defesa.
Interesse econômico em alta
O levantamento lembra que as exportações brasileiras de terras raras triplicaram no primeiro semestre de 2025, em meio ao esforço de países ocidentais para reduzir a dependência da cadeia asiática. Nesse contexto, o encarregado de negócios dos Estados Unidos no Brasil reuniu-se com executivos da mineração em outubro, e a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA investiu US$ 465 milhões na produtora Serra Verde em novembro, como parte de uma estratégia de diversificação de fornecedores.
Alvos na região
Além do Brasil, foram identificadas ações contra estruturas governamentais de Canadá, República Dominicana, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Panamá e Trinidad e Tobago, algumas ocorridas durante a paralisação orçamentária do governo norte-americano, entre outubro e novembro. A Unit 42 menciona ainda indícios de comprometimento de órgãos públicos na Bolívia, Panamá, Venezuela e México.
Resposta do governo brasileiro
Em nota, o Ministério de Minas e Energia declarou não ter registrado “qualquer tráfego anormal ou tentativa suspeita de invasão” em seus sistemas. A pasta informou manter monitoramento contínuo, adotar tecnologias alinhadas a normas nacionais e internacionais e ter atualizado sua Política de Segurança da Informação em conformidade com o Decreto nº 12.572/2025.
O MME acrescentou que, mesmo na hipótese de acesso indevido, “não resultaria em acesso a informações classificadas, sensíveis ou estratégicas ainda não publicizadas” e que acionou preventivamente órgãos competentes para reforçar medidas de proteção. O ministério destacou ainda contratos de serviços avançados de segurança cibernética e reafirmou o compromisso com transparência e integridade dos dados públicos.
Com informações de Gazeta do Povo