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Reforma tributária entra em vigor e exige planejamento para proteger o orçamento familiar

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Brasília – A fase de transição da reforma tributária começa em 2026 e traz mudanças que podem alterar preços, reduzir ganhos de investimentos e exigir ajustes no planejamento financeiro das famílias brasileiras.

A reforma foi regulamentada pelo Congresso em 2025 e promove a unificação de impostos sobre o consumo. PIS e COFINS serão substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal. Já o ICMS, cobrado pelos estados, e o ISS, arrecadado pelos municípios, darão lugar ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), compartilhado entre estados e municípios.

Transição até 2033

O novo sistema será implantado gradualmente de 2026 a 2033. Nesse período, as alíquotas serão testadas e os contribuintes terão de adaptar sistemas internos para apuração dos novos tributos. A cobrança passará a ocorrer no destino — onde o bem ou serviço é consumido — e o consumidor terá direito a créditos amplos para evitar a cumulatividade.

Imposto Seletivo

Outra novidade é o Imposto Seletivo, voltado a produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e combustíveis fósseis.

Impactos no bolso

De acordo com o advogado tributarista Luiz Gustavo Bichara, alterações em alíquotas e na forma de cobrança podem encarecer bens e serviços, afetar a rentabilidade de investimentos e exigir reavaliações no planejamento patrimonial. “Essas mudanças podem encarecer o custo de vida e demandar estratégias diferentes para preservar a renda”, afirma.

Na tributação do patrimônio, possíveis ajustes em IPTU e IPVA devem ser monitorados por quem possui imóveis, veículos ou heranças. Tributos extrafiscais, criados para incentivar ou desestimular comportamentos, também tendem a ganhar peso. Exemplo: alíquotas maiores sobre carros poluentes buscam incentivar a compra de veículos híbridos ou elétricos.

Planejamento financeiro como escudo

Para o economista e especialista em educação financeira Gean Duarte, da Me Poupe!, o melhor instrumento de proteção é o planejamento antecipado. “Olhar o orçamento pelo menos para os próximos 12 meses ajuda a criar margem para imprevistos, como reajustes de custos ou queda de renda”, diz.

Duarte recomenda a manutenção de uma reserva de emergência equivalente a seis meses do custo de vida, aplicada em investimentos de liquidez diária e baixo risco, como o Tesouro Selic. Quem atua como pessoa jurídica ou autônomo deve incluir as futuras mudanças de impostos na precificação de produtos e serviços para preservar a margem de lucro.

Diversificação de investimentos

Bichara ressalta que não existe estratégia única para enfrentar o novo cenário. A diversificação do portfólio é considerada fundamental para reduzir a exposição a alterações específicas de um setor. “Um aumento de IPTU pode levar o investidor a diminuir a concentração em imóveis; mudanças na tributação de serviços podem exigir revisão na carteira de ações”, observa.

Acompanhamento do noticiário econômico e do processo legislativo também é apontado como ferramenta de proteção. Empresas, segundo o advogado, já anteciparam pagamentos de dividendos em 2025 diante da possibilidade de tributação a partir de 2026.

Para o controle do dia a dia, Duarte incentiva o registro detalhado de entradas e saídas de recursos, por meio de planilha, aplicativo ou caderno. “Saber exatamente onde o dinheiro é gasto facilita ajustar o orçamento quando o cenário muda”, afirma. Ele ainda recomenda apoio de contador e planejador financeiro para definir o melhor enquadramento tributário e alinhar estratégias de longo prazo.

Com informações de Gazeta do Povo