O setor produtivo do país pode enfrentar, em 2026, o maior número de falências e pedidos de recuperação judicial já registrado no Brasil. A projeção parte de consultores e especialistas que observam uma combinação de juros elevados, crédito escasso e incertezas políticas às vésperas da eleição presidencial.
Segundo as estimativas, a manutenção da Selic em patamar alto deve encarecer os financiamentos, enquanto os bancos, mais cautelosos em anos eleitorais, tendem a reduzir a oferta de empréstimos e exigir garantias adicionais. Ao mesmo tempo, empresas precisarão arcar com custos de adaptação ligados à transição da reforma tributária, formando o que fontes do mercado chamam de “tempestade perfeita”.
Campo lidera pedidos de socorro
Embora o aperto financeiro atinja diversos segmentos, o agronegócio concentra hoje a maior quantidade de requerimentos de recuperação judicial. Quebras de safra, queda nos preços das commodities e alto nível de endividamento empurraram o setor para sua pior crise de liquidez, afirmam consultorias.
As micro e pequenas empresas também estão no grupo mais vulnerável. Com caixa limitado e menor acesso a linhas de crédito, elas respondem por cerca de 80% dos processos de recuperação em curso, gerando um efeito cascata sobre fornecedores e prestadores de serviço.
Recuperação judicial nem sempre evita o fim
O mecanismo legal permite renegociar dívidas e reestruturar a companhia, mas muitos empresários chegam ao Judiciário sem recursos ou ativos suficientes para oferecer como garantia. Sem capital novo, o plano de recuperação costuma fracassar e o caminho seguinte é a falência — encerramento definitivo das operações.
Juros altos não são o único obstáculo
A elevação dos custos financeiros é apontada como principal vilão, mas a escassez de crédito agrava o cenário. Instituições financeiras encurtaram prazos, endureceram exigências e, diante da eleição de 2026, preferem manter o dinheiro em caixa, restringindo ainda mais o fluxo de capital para empresas de todos os portes.
Recomendação: agir rápido
Especialistas aconselham companhias endividadas a buscar soluções antes que a situação se agrave. Para quem concede crédito, a orientação é acelerar a cobrança, já que a demora pode reduzir as chances de recuperação. “Gestão ágil e vigilância de caixa tornaram-se questão de sobrevivência”, resume um consultor.
Com informações de Gazeta do Povo