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Falta de mão de obra nos pomares de maçã é atribuída ao receio de perder o Bolsa Família

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24/03/2026 — Fraiburgo (SC) – Produtores de maçã do Sul do país relatam dificuldades para preencher até 70 mil vagas temporárias na colheita deste ano. O setor aponta que beneficiários do Bolsa Família evitam assumir os contratos de 90 dias com medo de terem o benefício suspenso.

Safra histórica sem trabalhadores suficientes

A colheita de maçã, prevista entre o fim de janeiro e abril, exige trabalho manual. “Nas condições atuais do programa, o trabalhador não tem garantia de que voltará a receber o auxílio depois do término do contrato”, afirma Moisés Lopes de Albuquerque, diretor-executivo da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM).

O Brasil possui cerca de 35 mil hectares de pomares – 95% concentrados em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principalmente em Vacaria (RS), Fraiburgo (SC) e São Joaquim (SC). Antes de 2010, a área beirava 40 mil hectares, número que recuou, segundo o setor, sobretudo pela falta de mão de obra.

Salário temporário eleva renda acima do limite do programa

O pagamento médio na colheita chega a R$ 3 mil. Numa família de três pessoas, esse valor eleva a renda per capita para R$ 1.218, ultrapassando o teto de R$ 218 exigido pelo Bolsa Família. A Regra de Proteção do programa permite que quem alcançar até R$ 706 por integrante permaneça por 12 meses recebendo 50% do benefício, mas representantes da fruticultura dizem que a norma não abrange todos os safristas.

Em Santa Catarina, 201.518 famílias recebem o Bolsa Família, enquanto no Rio Grande do Sul são 519.749, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).

Setor busca mudança na lei

O projeto de lei 715/2023, conhecido como “PL dos Safristas”, propõe que a remuneração de contratos de safra não interfira na elegibilidade a benefícios sociais. O texto foi aprovado na Câmara em junho de 2024, passou pelo Senado em dezembro de 2025 e aguarda nova análise dos deputados devido a alterações.

Governo defende regras atuais

O MDS sustenta que o cálculo de renda no Cadastro Único já considera a variação salarial de quem trabalha de forma sazonal. O sistema compara a renda do último mês com a média dos 12 meses anteriores e utiliza o menor valor. A pasta lembra ainda que famílias podem solicitar o retorno ao Bolsa Família até 36 meses após eventual cancelamento.

Além da maçã, outros segmentos da fruticultura relatam o mesmo obstáculo e vêm discutindo o tema com o governo federal desde 2024.

Com informações de Gazeta do Povo