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Prisão de banqueiro faz Grupo Fictor suspender compra do Banco Master

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São Paulo – 18/11/2025 – O Grupo Fictor decidiu suspender a aquisição do Banco Master após a prisão preventiva do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e a liquidação extrajudicial do banco determinada pelo Banco Central.

A negociação, anunciada na segunda-feira (17), previa a criação de um consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos e um aporte inicial de R$ 3 bilhões. Segundo a Fictor, a oferta fora comunicada ao Banco Central ainda na noite do dia 17 e dependia de aval dos órgãos reguladores.

Operação Compliance Zero

Vorcaro e outras cinco pessoas ligadas ao Banco Master foram alvo de mandados de prisão na Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (18). A investigação apura um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito fictícios que pode ter provocado prejuízo de R$ 12,2 bilhões.

Os crimes investigados incluem gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. Desde 2024, o Ministério Público Federal solicita apurações sobre a suposta fabricação de carteiras de crédito sem lastro, vendidas ao Banco Regional de Brasília (BRB) e posteriormente substituídas por ativos sem avaliação técnica adequada.

Prisão no aeroporto

Daniel Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos pouco antes de embarcar para Dubai em jato particular. A defesa argumentou que a viagem tinha o objetivo de concluir a venda do banco para o consórcio liderado pela Fictor.

Nota do Grupo Fictor

Em comunicado, a holding afirmou ter conduzido “todas as etapas com total transparência, responsabilidade e estrita observância às normas legais” e declarou respeito ao Banco Central e demais órgãos de supervisão. A empresa disse estar à disposição das autoridades e não comentou o mérito das investigações.

Reflexos no BRB

A operação da Polícia Federal incluiu 25 mandados de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal, entre eles a sede do BRB. A Justiça Federal afastou o presidente do banco, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro por 60 dias, mas não expediu mandados de prisão contra dirigentes da instituição.

Em nota, o BRB afirmou que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência”, negou irregularidades e garantiu a continuidade normal dos serviços.

Com a suspensão do negócio e a intervenção do Banco Central, o futuro do Banco Master permanece indefinido enquanto seguem as investigações da Operação Compliance Zero.

Com informações de Gazeta do Povo