O diretor-presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, solicitou exoneração do cargo nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, em meio às apurações que investigam a aplicação de aproximadamente R$ 400 milhões do Regime Próprio de Previdência Social do Amapá (RPPS/AP) em Letras Financeiras do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central.
Lemos foi alvo, na semana passada, da operação Zona Cinzenta, desdobramento da Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. As investigações apontam que o ex-gestor e outros dois integrantes do comitê de investimentos teriam realizado aportes considerados de alto risco e supostamente irregulares.
Em nota pública, o ex-presidente afirmou que a saída busca “permitir que a Justiça atue com total independência” e reforçou que, sob sua gestão, o patrimônio do fundo cresceu 41% entre 2023 e 2025, assegurando pagamentos a aposentados e pensionistas até 2059.
Além da ação da PF, o Ministério Público do Amapá analisa se os investimentos obedeceram à política interna do RPPS e se houve alertas formais sobre os riscos envolvidos.
Indicado ao posto pelo presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), Lemos não é o único foco das investigações, mas o parlamentar não figura como investigado, segundo a Polícia Federal.
Posicionamento da Amprev
Em comunicado divulgado ainda em 2025, após a liquidação extrajudicial do Banco Master, a Amprev sustentou que todas as aplicações seguiram as regras do Sistema Financeiro Nacional e a política de investimentos do RPPS. A autarquia informou que decisões judiciais garantiram a preservação dos recursos do fundo, atualmente mantidos em conta específica no Banco do Brasil.
Novo posicionamento, publicado em 6 de janeiro de 2026, reforçou que os contratos de empréstimos consignados permanecem válidos e que os descontos continuam ocorrendo normalmente, com os valores depositados em conta sob controle judicial para assegurar transparência e proteção aos segurados.
Com informações de Gazeta do Povo