Brasília — Os Correios encaminharam ao Tribunal de Contas da União (TCU), nesta sexta-feira (14), um plano de reestruturação que prevê a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões e a abertura de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para, no mínimo, 10 mil trabalhadores.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo e confirmadas pelos portais Metrópoles e CNN Brasil, a estatal quer usar os recursos para atenuar perdas que somaram R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre de 2025. Os resultados negativos vêm se acumulando desde 2015.
O presidente da companhia, Emmanoel Rondon, estima que a empresa só volte a registrar lucro em 2027. Além do PDV e do financiamento, o plano inclui venda de imóveis ociosos e renegociação de contratos com fornecedores.
A proposta enfrenta resistência no Congresso. O deputado federal Alberto Neto (PL-MT) protocolou representação no TCU alegando possível violação à Lei de Responsabilidade Fiscal.
Em 5 de novembro, representantes dos Correios já haviam se reunido com o TCU para detalhar a operação financeira, considerada de alto risco pelo órgão de controle.
No primeiro semestre deste ano, a receita da estatal caiu para R$ 8,9 bilhões, queda de 9,5% em comparação com igual período de 2024. As encomendas internacionais, afetadas por “mudanças regulatórias recentes”, recuaram 61,3%.
Em abril, uma comitiva da empresa foi a Xangai em busca de apoio do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco dos BRICS, para o Programa de Modernização e Transformação Ecológica dos Correios.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retirou a estatal do Programa Nacional de Desestatizações em 2023, mantendo a empresa sob controle do governo federal.
Com informações de Gazeta do Povo