Brasília – Análise preliminar da Polícia Federal aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria articulado uma ofensiva nas redes sociais para defender a instituição e atacar o Banco Central (BC) antes mesmo de o regulador decretar a liquidação do banco.
Os indícios foram extraídos de documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos em 17 de novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero, deflagrada um dia antes da intervenção do BC no Master. Vorcaro foi detido no aeroporto ao deixar o país, passou para prisão domiciliar em 29 de dezembro, e está monitorado por tornozeleira eletrônica.
Mensagens sugerem ação coordenada
De acordo com investigadores ouvidos sob reserva, conversas encontradas no celular de Vorcaro indicam que ele repassou instruções a intermediários externos – empresas que trabalham com influenciadores digitais – para impulsionar conteúdo favorável ao Master e direcionar críticas a servidores e órgãos de controle.
As trocas de mensagens antecedem a liquidação do banco, ocorrida em 18 de novembro, período em que o BC havia bloqueado a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) e impusera maior rigor regulatório.
Contratos milionários e até 40 perfis investigados
Contratos examinados pela PF previam pagamentos elevados, cláusulas de confidencialidade e multas altas para influenciadores que descumprissem o acordo. Os investigadores rastreiam pelo menos 40 perfis de entretenimento, celebridades e finanças que publicaram mensagens criticando a liquidação e questionando a conduta do BC.
Após a liquidação, o volume desses ataques aumentou, adotando linguagem semelhante à descrita nas conversas anteriores, reforçando a hipótese de ação estruturada.
Defesa nega participação e mantém sigilo de celular
Em manifestações ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Vorcaro nega qualquer envolvimento com campanhas virtuais contra o regulador. O banqueiro se recusou a fornecer a senha do celular, alegando conter dados pessoais. O aparelho, de última geração e com múltiplas camadas de criptografia, segue sob perícia.
Novo inquérito e próximos passos
Diante dos elementos obtidos, a PF instaurou um inquérito específico para apurar a suposta campanha digital. Vorcaro prestou depoimento em 30 de dezembro, ocasião em que foi colocado frente a frente com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Um novo depoimento está previsto para 27 de janeiro.
Além do controlador do Master, a PF pretende ouvir ex-diretores, ex-sócios e novamente Costa até início de fevereiro. A corporação também investiga a negociação de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes do Master para o BRB.
Tanto a defesa de Vorcaro quanto a Polícia Federal não comentaram publicamente os novos achados.
Com informações de Gazeta do Povo