Brasília – A Polícia Federal inicia nesta segunda-feira (26) a oitiva de oito investigados no inquérito que apura supostas irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação barrada pelo Banco Central em 2025 e ligada à Operação Compliance Zero.
Os depoimentos ocorrem no Supremo Tribunal Federal (STF) após determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso, que prorrogou a investigação por mais 60 dias.
Primeiro dia de depoimentos
Nesta segunda (26) serão ouvidos:
- Dário Oswaldo Garcia Junior – diretor de Finanças e Controladoria do BRB;
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia – ex-funcionário do Master e diretor da Tirreno, empresa que originou créditos revendidos ao BRB;
- Henrique Souza e Silva Peretto – proprietário formal da Tirreno;
- Alberto Felix de Oliveira – superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master.
Segunda rodada
Na terça-feira (27) a PF toma o depoimento de:
- Robério Cesar Bonfim Mangueira – superintendente de Operações Financeiras do BRB;
- Luiz Antonio Bull – diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Master;
- Angelo Antonio Ribeiro da Silva – sócio do Banco Master;
- Augusto Ferreira Lima – ex-sócio da instituição.
Fraude pode chegar a R$ 12 bilhões
De acordo com a PF, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimento até 40% superior à taxa básica de juros. O esquema, segundo os investigadores, pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões com participação de dirigentes do banco estatal.
Apesar do acordo de compra firmado em março de 2025, o Banco Central vetou a operação por considerar alto o risco envolvido. O inquérito estava na Justiça Federal de Brasília e foi remetido ao STF em dezembro.
Operação Compliance Zero
O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso em novembro na primeira fase da operação e solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Na semana retrasada, uma nova etapa da Compliance Zero foi deflagrada para aprofundar as investigações sobre fraudes financeiras.
As apurações apontam uso de ativos sem liquidez, preços artificialmente inflados, “laranjas” e transações entre partes relacionadas. Vorcaro, em depoimento já obtido pela PF, admitiu crises recorrentes de liquidez na instituição e o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como estratégia de negócios.
Os investigados podem responder por organização criminosa, gestão fraudulenta, indução de investidores ao erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Com informações de Gazeta do Povo