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PF investiga Nelson Tanure por suposto controle oculto do Banco Master

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São Paulo – O empresário Nelson Tanure, 74 anos, foi alvo na quarta-feira (14) da segunda fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal para apurar fraudes contábeis e financeiras envolvendo o Banco Master.

Investigação e abordagem

Agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, controlador formal da instituição, seus familiares e apoiadores. Tanure foi abordado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, momentos antes de embarcar em voo para Curitiba. Em sua residência, a PF apreendeu apenas o telefone celular do investidor.

Em nota, a defesa afirmou que Tanure nunca respondeu a processo criminal relacionado às empresas das quais é ou foi acionista, negou vínculo societário com o Banco Master e disse que ele mantém relacionamento com o banco apenas como cliente, “nos mesmos termos praticados por outras instituições financeiras”. A defesa acrescentou que o empresário confia no esclarecimento dos fatos pelo Supremo Tribunal Federal.

Suspeita de controle de fato

O Ministério Público Federal abriu inquérito em 2024 para verificar se Tanure seria o controlador de fato do Banco Master, usando as empresas Aventti, o fundo Estocolmo e a holding Banvox para ocultar participação. Segundo investigadores, estruturas de fundos ligados ou influenciados por Tanure podem ter sido usadas para capitalizar o banco ou absorver créditos de difícil recuperação, mascarando a real situação financeira da instituição.

Venda de ativos e desempenho das participações

Desde 2025, Tanure se desfaz de ativos para liquidar dívidas. Ele vendeu praticamente toda a fatia que detinha na petroleira Prio, da qual já foi dono de cerca de 20%. Parte dessas ações—17%—estava dada em garantia a um empréstimo no Credit Suisse, posição desfeita após a aquisição do banco pelo UBS.

Outras participações também perderam valor. As ações da Alliança Saúde recuaram mais de 80% desde o pico de agosto de 2023; os papéis da Gafisa operam próximos das mínimas históricas, e a Ligga registra prejuízos seguidos. A Light, na qual Tanure detém cerca de 30% via Fundo WNT, permanece em recuperação judicial desde 2023, com dívidas acima de R$ 11 bilhões.

Histórico de reestruturações

Com carreira marcada pela compra de companhias em dificuldade, Tanure já esteve à frente de operações na Varig, na Oi, no Jornal do Brasil e na Gazeta Mercantil, que fechou em 2009. Em 2025, tentou aumentar participação na Braskem, mas a investida não avançou.

O inquérito sobre a possível gestão fraudulenta no Banco Master segue em curso.

Com informações de Gazeta do Povo