Brasília – Um parecer técnico sigiloso da Audbancos, área especializada do Tribunal de Contas da União (TCU), concluiu que o Banco Central (BC) atuou de forma diligente na supervisão do Banco Master e afastou a hipótese de negligência da autoridade monetária.
O documento, obtido pelo jornal Valor, afirma que o BC monitorava a instituição desde o primeiro semestre de 2024 e comunicou indícios de crimes ao Ministério Público Federal antes de decretar a liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025.
Pressão por interferência
A análise dos auditores foi decisiva para conter uma tentativa de intervenção do próprio TCU no processo de liquidação. O ministro relator, Jhonatan de Jesus, chegou a avaliar a emissão de medida cautelar que poderia suspender a decisão do BC, o que beneficiaria os controladores do Master, envolvidos em fraudes investigadas pela Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
Diante do parecer contrário e da reação negativa do mercado financeiro, o ministro recuou da iniciativa.
Competência exclusiva do BC
Os técnicos do tribunal ressaltaram que a prerrogativa de decretar liquidação ou intervenção em instituições financeiras é exclusiva do Banco Central, conforme a Lei 6.024/1974, e que qualquer revisão desse ato pelo TCU configuraria invasão de competência.
Fraudes e consequências
A liquidação do Banco Master foi motivada pela constatação de graves irregularidades, entre elas a emissão de títulos falsos. O controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso quando tentava deixar o país, no âmbito da Operação Compliance Zero.
O parecer indica também insuficiência grave de recursos e violações legais no banco, validando a decisão do BC de interromper as atividades da instituição para proteger depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro.
Com informações de Gazeta do Povo