Brasília – O avanço da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta semana, impulsionou a coleta de assinaturas para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o Banco Master. A informação é do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), autor do requerimento, que já contabiliza mais de 171 apoios, número mínimo exigido para a abertura da comissão na Câmara.
A segunda fase da operação, realizada na quarta-feira (14), mirou familiares e aliados do banqueiro Daniel Vorcaro. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e determinado o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens. A Polícia Federal apura diversas fraudes, incluindo a venda de carteiras de crédito falsas ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões, identificada na primeira etapa da investigação, em 2025.
“Durante o recesso continuamos recolhendo assinaturas, e os fatos recentes contribuíram para isso”, disse Rollemberg ao jornal Folha de S.Paulo.
Órgãos sob escrutínio
Para o parlamentar, o caso ganhou dimensão nacional ao envolver Supremo Tribunal Federal (STF), Banco Central, Tribunal de Contas da União (TCU) e a própria Polícia Federal. Ele sustenta que a atuação dessas instituições passou a ser questionada diante da gravidade das denúncias.
No STF, o ministro Dias Toffoli determinou que as provas do inquérito ficassem sob guarda da Procuradoria-Geral da República (PGR), limitando o acesso a apenas quatro peritos da PF indicados por ele.
Venda ao BRB e reação política
Rollemberg classificou como ponto mais crítico a negociação que envolvia a venda do Banco Master ao BRB, defendida publicamente pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). O Banco Central anulou a transação. “Chamou atenção a ênfase com que o governador Ibaneis defendeu essa operação”, afirmou o deputado, acrescentando que o chefe do Executivo local, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e diretores do Banco Central “têm muito a esclarecer”.
Nesta semana, a atual direção do BRB indicou que poderá recorrer ao governo distrital caso se confirme prejuízo com a compra das carteiras de crédito do Master. Rollemberg reagiu: “Isso seria lesar a população duas vezes. Os contribuintes do Distrito Federal não têm responsabilidade por essa fraude.” Segundo ele, os responsáveis pela operação devem arcar integralmente com os danos causados.
Com informações de Gazeta do Povo