A abertura do mercado livre de energia elétrica no Brasil ganhou impulso em 2025, quando 21,7 mil unidades consumidoras trocaram o modelo regulado pelo Ambiente de Contratação Livre (ACL). Com o salto, o país passou a somar 85,4 mil unidades – em sua maioria indústrias e grandes comércios – responsáveis por cerca de 43% de toda a eletricidade consumida no território nacional.
Diferentemente do sistema tradicional, no qual o usuário só pode adquirir energia da distribuidora local, o mercado livre permite a compra direta de geradoras ou comercializadoras, criando concorrência e abrindo espaço para tarifas menores.
Nova lei amplia acesso
A Lei nº 15.269, sancionada em novembro de 2025, estendeu a possibilidade de migração também às unidades de baixa tensão, que antes não tinham esse direito. A norma fixa um cronograma escalonado:
- Indústrias e comércios de baixa tensão: até novembro de 2027
- Consumidores residenciais: até novembro de 2028
Com a mudança, a estimativa é de que até 92 milhões de brasileiros possam escolher livremente seu fornecedor de energia.
Potencial de economia
Estudo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) projeta que os consumidores do Grupo B – que reúne pequenos comércios, indústrias e residências – economizem R$ 17,8 bilhões por ano quando estiverem no mercado livre. Já a consultoria Volt Robotics calcula que a concorrência entre as 504 comercializadoras hoje cadastradas na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) possa reduzir a conta de luz em até 26,5%.
Desafios de adesão
Para alcançar novos perfis de clientes, empresas do setor preveem campanhas de comunicação semelhantes às que divulgaram a portabilidade da telefonia móvel ou o Pix. Segundo a CCEE, a maior concentração de consumidores livres ainda está nas regiões Sul e Sudeste: somente o estado de São Paulo respondeu por 28% das migrações em 2025, seguido por Paraná e Minas Gerais.
A abertura para o varejo deverá exigir também melhorias em sistemas de gestão, atendimento e venda, a fim de tornar a jornada do cliente mais simples e evitar frustrações quando o serviço chegar aos pequenos consumidores e às residências.
Com informações de Gazeta do Povo