O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que a expansão dos programas sociais promovida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é “insustentável”. A declaração foi feita nesta terça-feira (17), durante o Global Invest Day, evento organizado pela fintech Nomad.
Segundo Meirelles, o país precisa de uma “visão estruturante” para conter despesas e respeitar o novo arcabouço fiscal. “Qualquer gasto fiscal fora do teto resolve o problema formal do governo, mas não dribla a lei da economia. Despesa acima da conta aumenta a dívida, a inflação e os juros”, afirmou.
Escalada dos números
Em 2019, as despesas nominais com assistência social somaram R$ 92,8 bilhões, enquanto a dívida pública atingiu R$ 4,24 trilhões. Em 2025, o gasto avançou 207,9%, alcançando R$ 285,8 bilhões, e a dívida subiu para R$ 8,65 trilhões.
O Produto Interno Bruto (PIB) também cresceu: de R$ 7,4 trilhões em 2019 para R$ 12,7 trilhões em 2025, impulsionado principalmente pelo desempenho recorde do setor agropecuário. Para Meirelles, porém, parte desse avanço resulta do aumento do endividamento público, o que exigiria um redirecionamento do papel do Estado na economia.
Do teto ao arcabouço fiscal
O governo Lula substituiu o teto de gastos, criado em 2016 na gestão Michel Temer, por um arcabouço fiscal mais flexível. A nova régua autoriza elevação das despesas em até 2,5% ao ano e exclui do cálculo itens como repasses ao Fundeb e receitas próprias do Judiciário, após decisão do Supremo Tribunal Federal.
Meirelles ressaltou que programas sociais continuam essenciais, mas advertiu que a expansão recente “foi muito pronunciada” e precisa ser freada para garantir sustentabilidade fiscal.
Com informações de Gazeta do Povo