Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, que o governo avalia o impacto das apostas online nas finanças das famílias brasileiras e que, se fosse decisão exclusiva dele, encerraria a operação das casas de apostas no país.
“Se depender de mim, a gente fecha as bets”, declarou Lula em entrevista ao portal ICL Notícias. O presidente disse que o assunto também depende do Congresso Nacional e insinuou que há parlamentares comprometidos com o setor: “Todo mundo sabe quem são os deputados, partidos e senadores que estão envolvidos nisso”.
Regulamentação gerou quase R$ 10 bilhões em 2025
A fala ocorre pouco mais de um ano após o início da regulamentação das apostas online, que estabeleceu imposto de 12% sobre a receita bruta das empresas em 2025, alíquota que sobe para 13% neste ano e chegará a 15% em 2028. Somente no ano passado, a arrecadação somou R$ 9,95 bilhões, destinados a esporte, turismo, segurança pública, educação e saúde.
O marco regulatório também fixou taxa de licença de R$ 30 milhões a cada cinco anos para as operadoras, valor que rendeu quase R$ 10 bilhões em 2025. Para os apostadores, passou a incidir Imposto de Renda de 15% sobre lucros anuais superiores a R$ 28,4 mil.
Preocupação com vício e endividamento
Lula disse estar “incomodado” com o que chamou de “jogatina desenfreada” e mencionou relatos de endividamento de famílias. Ele lembrou críticas feitas desde 2024, quando o governo começou a discutir a regulamentação, e reforçou a possibilidade de banir as plataformas caso as medidas atuais se mostrem insuficientes.
O presidente também citou estudo do Banco Central de 2024 que apontou uso de R$ 3 bilhões do programa Bolsa Família em apostas online, ordenando à época que ministros buscassem mecanismos para impedir o acesso de beneficiários às casas de apostas.
Responsabilidade atribuída a governos anteriores
Durante a entrevista, Lula responsabilizou a gestão de Michel Temer (MDB) pela liberação das bets em 2018 e criticou o governo Jair Bolsonaro (PL) por, segundo ele, não ter regulamentado o setor nem cobrado impostos.
“Dizem que o futebol não pode prescindir das bets, mas o futebol viveu um século sem elas”, argumentou o presidente, reforçando que prefere limitar o número de plataformas ou, se necessário, acabar com todas.
Com informações de Gazeta do Povo